Como instalar energia solar em casa: 8 etapas da avaliação do telhado à troca do medidor, prazos reais e golpes pra evitar
Passo a passo completo pra instalar energia solar residencial em 2026. Avaliação do telhado, dimensionamento, escolha do integrador, homologação e prazos.
Equipe Editorial
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Não contrate a primeira empresa que aparecer no Google. Em Pará de Minas (MG), dezenas de famílias pagaram antecipado por sistemas solares que nunca foram instalados — a empresa sumiu com o dinheiro (Reclame Aqui, 2025). A Operação Pleonexia da Receita Federal investigou um esquema de R$ 151 milhões que usava energia solar como fachada (Receita Federal, fev/2025). O passo a passo abaixo cobre as 8 etapas reais do processo — da avaliação do telhado à troca do medidor — e mostra, em cada uma, o que observar pra não cair em armadilha.
Etapa 1 — Avalie o telhado (e o consumo)
Antes de pedir orçamento, duas perguntas precisam de resposta: seu telhado aguenta painéis e quanto de energia você gasta por mês.
O telhado ideal no Brasil é voltado pro norte geográfico, com inclinação próxima da latitude do local — em São Paulo, perto de 23 graus. Telhados voltados pra nordeste ou noroeste perdem de 3% a 8% de geração. Leste ou oeste, de 12% a 20%. Voltado pro sul, as perdas passam de 25% e geralmente inviabilizam o projeto (Portal Solar, 2025). Sombreamento é outro fator crítico: uma árvore, caixa d’água ou prédio vizinho que faça sombra em parte dos painéis derruba a geração da string inteira — a menos que você use microinversor, que isola cada painel.
Pro consumo, pegue as últimas 12 contas de luz e calcule a média mensal em kWh. Não use só um mês — o consumo varia com ar-condicionado no verão e chuveiro elétrico no inverno. Desconte o custo de disponibilidade (30 kWh pra monofásico, 50 pra bifásico, 100 pra trifásico, segundo a ANEEL), porque esse mínimo você paga mesmo com solar. Se sua média é 400 kWh/mês em ligação monofásica, o sistema precisa cobrir 370 kWh.
Etapa 2 — Dimensione o sistema
Com o consumo definido, a conta é direta: divida o consumo mensal por 30, depois pelo HSP da sua cidade, depois por 0,78 (fator de perdas por temperatura, sujeira e inversor). O resultado é a potência em kWp.
Exemplo pra São Paulo: 370 kWh/mês / 30 / 5,0 HSP / 0,78 = 3,16 kWp. São 6 painéis de 550W. Em Fortaleza, onde o HSP chega a 5,6, o mesmo consumo pede 2,82 kWp — 5 painéis bastam. A irradiação solar do seu município está disponível no CRESESB/INPE (banco SunData), e a calculadora de dimensionamento do site faz essa conta pra qualquer cidade do Brasil.
Um sistema de 3 a 5 kWp atende a maioria das casas brasileiras. O custo instalado em fevereiro de 2026 fica entre R$ 15 mil e R$ 22 mil, dependendo da potência e dos equipamentos escolhidos (Greener, 2025). O payback típico gira em torno de 4 a 6 anos com a tarifa média de R$ 0,65/kWh — depois disso, são 19 a 21 anos de economia na conta de luz com autoconsumo e compensação de créditos na rede.
Etapa 3 — Peça (no mínimo) 3 orçamentos
Esse é o passo que mais gente pula — e é onde mais se perde dinheiro. A diferença entre o orçamento mais caro e o mais barato pra um sistema de 5 kWp pode passar de R$ 5 mil. E preço baixo nem sempre é economia.
O que um orçamento sério precisa ter: marca e modelo de cada painel (ex: Canadian Solar HiKu7 CS7N-550MS), marca e modelo do inversor (ex: Growatt MIN 5000TL-X), quantidade de painéis, potência total em kWp, estrutura de fixação, string box, cabeamento, mão de obra, homologação inclusa ou não, e prazo de instalação. Se o orçamento diz só “kit solar 5 kWp” sem detalhar componentes, descarte.
Compare os três orçamentos não só pelo preço total. Olhe a eficiência dos painéis (acima de 21% é bom), a garantia do inversor (mínimo 10 anos), se a homologação junto à distribuidora está inclusa no preço e qual o prazo contratual pra conclusão de tudo. O ranking de melhores painéis e melhores inversores ajuda a identificar se os equipamentos do orçamento são de primeira linha ou genéricos.
Etapa 4 — Escolha o integrador (e fuja dos golpistas)
O integrador é a empresa que vende, instala e homologa o sistema. É o profissional mais importante do processo — e o mais difícil de avaliar se você nunca contratou um.
Checklist mínimo antes de assinar: CNPJ ativo na Receita Federal (consulte no site da Receita), registro no CREA da região (obrigatório por lei pra serviços de engenharia), emissão de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) pra cada obra, portfólio com fotos de instalações reais e contato de clientes anteriores pra você ligar e perguntar. A ABSOLAR tem um programa de certificação em três níveis (A, AA, AAA) — integradores certificados passaram por auditoria de processos.
Pesquise no Reclame Aqui e no Google. Empresa com menos de 1 ano de mercado, sem avaliações e que pede 100% do pagamento adiantado em conta de pessoa física é bandeira vermelha. O padrão de mercado é pagamento em etapas: sinal na contratação, parcela após instalação, e saldo após homologação e troca do medidor.
Etapa 5 — Instalação e homologação
Depois de contratar, o integrador cuida de duas frentes em paralelo: a instalação física e a burocracia na distribuidora.
Na parte física, a equipe monta a estrutura de fixação (trilhos e grampos de alumínio aparafusados no telhado), posiciona os painéis, instala a string box (proteção elétrica com fusíveis e DPS), conecta o inversor e faz o cabeamento até o quadro de distribuição. Num sistema residencial de 5 kWp, a instalação leva de 1 a 3 dias com equipe de 2 a 3 pessoas.
Na parte burocrática, o integrador protocola a solicitação de acesso na distribuidora (Enel, CPFL, Cemig, Energisa, Equatorial — depende da sua região). O pacote inclui projeto elétrico, diagrama unifilar, memorial descritivo e ART. A distribuidora tem 15 dias úteis pra emitir o parecer de acesso em sistemas de microgeração sem obras na rede (ANEEL, Resolução Normativa 1.000/2021). Se precisar de obra — raro em residências — o prazo dobra pra 30 dias. A taxa de vistoria e troca do medidor varia de R$ 200 a R$ 500 dependendo da distribuidora, e costuma já estar inclusa no orçamento do integrador.
Dica que economiza semanas: o integrador pode protocolar a solicitação de acesso antes de instalar os painéis. A análise da distribuidora roda em paralelo com a compra e entrega dos equipamentos. Bons integradores fazem isso automaticamente.
Etapa 6 — Vistoria e troca do medidor
Após a instalação e a aprovação do projeto, a distribuidora agenda uma vistoria presencial. O técnico verifica se o que foi instalado confere com o projeto aprovado: potência dos painéis, modelo do inversor, proteções elétricas, aterramento. A ANEEL determina prazo de 7 dias úteis pra vistoria em microgeração (área urbana).
Se aprovado, começa a parte mais lenta de todo o processo: a troca do medidor bidirecional. A distribuidora substitui o medidor antigo (que só mede consumo) por um que registra os dois sentidos — consumo da rede e injeção de energia solar. Só depois da troca o sistema de compensação de créditos funciona de verdade e cada kWh injetado abate da sua conta de luz (já considerando o Fio B de 60% em 2026). A ANEEL estipula 7 dias pra troca, mas na prática depende do estoque de medidores da distribuidora. CPFL e Celesc costumam trocar em 7 a 15 dias. Energisa e Equatorial podem demorar 30 a 60 dias em regiões com demanda alta (Canal Solar, 2025).
Enquanto o medidor antigo não sai, seu sistema gera energia mas os créditos não são computados. É o período mais frustrante do processo — e por isso integrador bom avisa desde o início qual o prazo médio da distribuidora da sua região.
Se a distribuidora ultrapassar o prazo regulatório, registre reclamação no canal oficial e, se necessário, na ouvidoria da ANEEL. Há leis estaduais — como a do Mato Grosso, que obriga vistoria e troca em 7 dias pela Energisa — que reforçam esses prazos.
Cronograma realista: quanto tempo do início ao fim
Somando todas as etapas, o prazo total vai de 40 a 100 dias entre o primeiro contato e a geração oficial de créditos de energia. A variação é grande porque a distribuidora é um gargalo que você não controla.
O cenário otimista (40 dias) acontece em regiões com distribuidoras ágeis, equipamentos em estoque e integrador experiente. O pessimista (100 dias) é comum com distribuidoras sobrecarregadas, falta de medidores ou reprovação na vistoria que exige correção e reagendamento.
Três formas de encurtar o prazo. Primeira: escolha integrador que já conheça a distribuidora da sua região — ele sabe quais documentos costumam gerar reprovação e envia o projeto certo de primeira. Segunda: peça pro integrador protocolar a solicitação de acesso no mesmo dia da assinatura do contrato, antes de instalar. Terceira: se possível, evite os meses de novembro a janeiro, quando a demanda por instalação solar dispara e as distribuidoras ficam congestionadas.
Perguntas frequentes
Posso instalar energia solar por conta própria? Tecnicamente, existem kits de autoinstalação. Na prática, não recomendo. O sistema precisa de projeto assinado por engenheiro eletricista com ART pra homologar na distribuidora. Sem homologação, você gera energia mas não recebe créditos — paga a conta de luz cheia. Além disso, a instalação envolve trabalho em altura e eletricidade, com risco real de acidente.
A distribuidora pode recusar a conexão do meu sistema? Pode, mas só por motivos técnicos justificados — como necessidade de reforço na rede que o consumidor se recusa a custear. A Lei 14.300/2022 e a Resolução Normativa 1.000 da ANEEL garantem o direito de conexão de sistemas de geração distribuída. Se a recusa for indevida, registre reclamação na ANEEL.
Preciso de alvará da prefeitura pra instalar painéis no telhado? Na maioria dos municípios brasileiros, sistemas fotovoltaicos residenciais de até 75 kW (microgeração) não exigem alvará de construção. Mas há exceções em cidades com legislação urbanística restritiva ou imóveis tombados. Consulte a prefeitura antes.
Quanto tempo dura um sistema solar? Os painéis têm vida útil de 25 a 30 anos, com garantia de performance de 25 anos (mínimo 80% da potência original). O inversor string dura de 10 a 15 anos — espere trocar uma vez durante a vida do sistema, ao custo de R$ 2.500 a R$ 5.000 em valores de 2026. A estrutura de alumínio e o cabeamento duram mais que os painéis.