Consórcio ou financiamento pra energia solar: simulamos R$ 20 mil nas duas modalidades pra ver quem paga menos no total
Comparação com números reais: consórcio (Sicredi, Porto Seguro, Embracon) vs financiamento (BV, Santander, Solfacil) pra energia solar. Cenários por perfil.
Equipe Editorial
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Se você paga R$ 350 a R$ 500 de conta de luz todo mês e quer trocar por energia solar, mas não tem R$ 20 mil na mão, a escolha se resume a duas opções: consórcio ou financiamento. O consórcio custa menos no total — um sistema de R$ 20 mil sai por R$ 22 mil no Sicredi contra R$ 29.700 no Banco BV. Só que no consórcio você espera meses (ou anos) pela contemplação enquanto continua pagando tarifa cheia pra distribuidora. No financiamento, os painéis vão pro telhado em 30 dias e a economia começa imediato.
Não existe resposta universal. O que existe é a resposta certa pro seu cenário. Simulamos R$ 20 mil nas 6 principais opções de crédito solar do Brasil pra mostrar quando cada uma ganha.
O custo total lado a lado: R$ 22 mil contra R$ 31 mil
Pegamos um sistema de 5 kWp — o tamanho mais instalado no Brasil pra consumo de 350 a 500 kWh/mês. Preço médio de R$ 20 mil instalado em fevereiro de 2026 (Greener). Na coluna do consórcio, o custo total é o crédito mais a taxa de administração. Na do financiamento, o crédito mais os juros acumulados pela Tabela Price.
| Modalidade | Instituição | Taxa/Juros | Prazo | Parcela | Custo total |
|---|---|---|---|---|---|
| Consórcio | Sicredi Sustentável | 10% admin total | 120 meses | R$ 183 | R$ 22.000 |
| Consórcio | Porto Seguro | 19% admin total | 180 meses | R$ 132 | R$ 23.800 |
| Consórcio | Embracon | 20% admin total | 180 meses | R$ 133 | R$ 24.000 |
| Financiamento | Santander | 1,11% a.m. | 72 meses | R$ 405 | R$ 29.150 |
| Financiamento | Banco BV | 1,17% a.m. | 72 meses | R$ 413 | R$ 29.700 |
| Financiamento | Solfacil | CET 1,32% a.m. | 72 meses | R$ 432 | R$ 31.110 |
O Sicredi Sustentável é o mais barato de todos. Cooperados pagam taxa de administração de 7%, o que derruba o custo pra R$ 21.400. Mas a diferença pro financiamento mais caro (Solfacil) é de R$ 9.110 — quase metade do valor do sistema.
Olhando só o custo total, consórcio ganha de lavada. O problema é que custo total não conta a história inteira. Falta o fator tempo.
Cenário 1: você tem pressa e quer parar de pagar conta
Se a conta de luz custa R$ 400 por mês e você não aguenta mais ver esse dinheiro ir embora, financiamento resolve em 30 dias. O integrador instala painéis e inversor, a distribuidora troca o medidor bidirecional após a homologação na ANEEL, e no mês seguinte a fatura já cai pra algo entre o custo de disponibilidade (R$ 25 em ligação monofásica) e R$ 100, dependendo do dimensionamento.
Na prática, um sistema de 5 kWp em São Paulo gera economia líquida de R$ 275 por mês, já descontando o Fio B de 60% (Lei 14.300/2022) e a manutenção. Essa economia abate parte da parcela do financiamento. No Banco BV (R$ 413/mês), saem R$ 138 do bolso. No Santander (R$ 405/mês), R$ 130. São R$ 4,50 por dia no caso mais caro. Depois de 72 meses, acabou a parcela e a economia de R$ 275 vira 100% sua por mais 19 anos.
No consórcio, o cenário muda. Você paga parcela de R$ 183 (Sicredi) sem ter painel nenhum no telhado. A contemplação por sorteio acontece em média com 50 a 60% do prazo do grupo — num grupo de 120 meses, são 60 a 72 meses de espera. Com lance de 25 a 30% do crédito, dá pra antecipar pra 6 a 12 meses, mas aí você precisa ter R$ 5 mil a R$ 6 mil de entrada — e quem tem esse dinheiro talvez consiga dar entrada num financiamento menor.
Durante a espera, a conta de luz continua: R$ 400 por mês durante 24 meses são R$ 9.600 que não voltam. Esse custo invisível precisa entrar na conta.
Cenário 2: parcela baixa é prioridade e você não tem urgência
Se o orçamento é apertado e R$ 400 de parcela não cabe, consórcio é a saída. A Porto Seguro cobra R$ 132 por mês num plano de 180 meses. O Sicredi, R$ 183 em 120 meses. Compare com R$ 413 do BV — menos da metade.
Esse é o perfil de quem está planejando uma reforma no médio prazo, vai trocar de telhado em 1 ou 2 anos, ou quer reservar o investimento em solar pra daqui a um tempo. A conta de luz não está matando, mas faz sentido travar um crédito pra não depender de financiamento lá na frente.
O consórcio sustentável do Sicredi tem um detalhe que poucos sabem: cooperados (quem já tem conta no Sicredi) pagam taxa de administração de 7% em vez de 10%. São R$ 149 por mês em vez de R$ 183. Pra não-cooperados, abrir conta no Sicredi custa uma cota de capital de R$ 20 a R$ 100 — vale fazer as contas.
Outro ponto a favor do consórcio: a carta de crédito é corrigida anualmente. Se os equipamentos subirem de preço (e os módulos solares já subiram 10-15% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, segundo o Canal Solar), o crédito acompanha.
Cenário 3: tem parte do dinheiro mas não todo
Quem tem R$ 8 mil a R$ 12 mil guardados tem uma terceira opção que quase ninguém discute: pagar parte à vista e financiar o restante. Um sistema de R$ 20 mil com entrada de R$ 8 mil deixa R$ 12 mil pra financiar. No BV a 1,17% ao mês em 72 meses, a parcela cai pra R$ 248 — abaixo da economia de R$ 275 na conta. O sistema se paga sozinho desde o primeiro mês.
A outra combinação: usar o dinheiro como lance num consórcio. R$ 6 mil de lance no Sicredi Sustentável (30% do crédito) provavelmente antecipa a contemplação pra dentro dos primeiros 6 meses. Custo total: R$ 22 mil (taxa admin de 10% sobre R$ 20 mil) menos os R$ 6 mil de lance, que abate parcelas futuras. A parcela residual cai pra algo em torno de R$ 130.
Nesse cenário, a escolha entre consórcio e financiamento depende de quanto vale pra você a certeza de ter os painéis no telhado na semana que vem. O financiamento com entrada garante instalação imediata. O consórcio com lance pode levar 6 meses — ou pode levar 18, se o lance não for suficiente na assembleia.
O que cada administradora e banco cobra de verdade
Sicredi Sustentável é a melhor opção de consórcio pra solar hoje. Taxa de 10% (7% pra cooperados), prazo de 60 a 120 meses, carta corrigida anualmente. O Sicredi tinha 24% do mercado de financiamento solar em 2025 (Greener), então os integradores já trabalham com a marca. A limitação: cooperativas Sicredi têm cobertura regional — se não tem agência na sua cidade, essa opção não existe.
Porto Seguro cobra taxa de 19% com prazo de até 180 meses. As parcelas são reduzidas em 20% até a contemplação (ou seja, R$ 106 por mês até ser contemplado, depois R$ 158). Tem seguro prestamista embutido. É uma administradora sólida, mas a taxa quase dobra o que o Sicredi pede.
Embracon trabalha com taxa de 20% e prazo similar ao da Porto Seguro. São mais de 500 mil bens entregues na história da empresa (Embracon, 2025). A diferença pro Porto Seguro é mínima em custo — a escolha entre as duas costuma depender mais do vendedor ou do grupo disponível.
No lado do financiamento, o comparativo completo entre BV, Santander e Solfacil detalha taxa por taxa. O resumo rápido: BV domina 47% do mercado e trabalha com a maioria dos integradores. Santander é mais barato pra correntistas (1,11% a.m.). Solfacil tem o prazo mais longo (120 meses) mas o CET mais alto. Se o seu orçamento cabe em 72 meses, Santander ou BV. Se precisa de 120 meses pra parcela caber, Solfacil — sabendo que o custo total quase dobra o valor do sistema.
A conta que ninguém faz: economia perdida durante a espera
Essa é a armadilha do consórcio pra energia solar especificamente (e não pra carro ou imóvel). Quem compra consórcio de carro espera e usa o transporte público. Quem compra consórcio solar espera e paga conta de luz cheia. Cada mês sem os painéis é dinheiro que vai pra distribuidora em vez de ficar no bolso.
Em São Paulo, 24 meses de espera custam R$ 9.600 em conta de luz que o sistema eliminaria. Some esse valor ao custo do consórcio. O Sicredi de R$ 22 mil, na prática, vira R$ 31.600 se a contemplação demorar 2 anos. Fica mais caro que o BV.
A exceção: quem dá lance e é contemplado nos primeiros 3 meses. Nesse caso, a economia perdida é de R$ 825 (3 meses x R$ 275). Custo ajustado do Sicredi: R$ 22.825 — ainda mais barato que qualquer financiamento.
O payback do investimento em solar fica entre 4 e 8 anos dependendo da tarifa da sua cidade. Adicionar 2 anos de espera do consórcio empurra o retorno pra 6 a 10 anos. Ainda positivo em 25 anos, mas com uma mordida no retorno total.
Quando cada opção ganha
Financiamento vence quando: a conta de luz é alta (acima de R$ 350/mês), você quer economia imediata, e consegue absorver a diferença entre parcela e economia (R$ 130 a R$ 160 por mês nos bancos comerciais). Os painéis sobem no telhado em 30 dias e a geração distribuída começa a compensar os créditos de energia na fatura seguinte.
Consórcio vence quando: não tem pressa (reforma planejada, construção em andamento, mudança de imóvel), a parcela de financiamento não cabe no orçamento mensal, ou é cooperado Sicredi e quer o menor custo total possível. Pra sistemas maiores (8-10 kWp, R$ 30 mil+), a economia do consórcio em relação ao financiamento sobe pra R$ 10 mil a R$ 15 mil.
Nenhuma opção vence quando: o consumo é baixo (abaixo de 250 kWh/mês). Nesse caso, o investimento em painel solar de qualquer forma — consórcio ou financiamento — tem retorno apertado. Use o comparador de financiamento pra simular com os números exatos da sua fatura antes de assinar qualquer contrato.
Perguntas frequentes
Consórcio solar tem juros escondidos? Não tem juros. A taxa de administração (10% no Sicredi, 19% na Porto Seguro, 20% na Embracon) é o custo total do serviço. Além dela, existe o fundo de reserva (0,5% a 2%) e seguro. A parcela pode ser reajustada anualmente pelo INPC ou índice similar, o que aumenta o valor nominal mas mantém o poder de compra do crédito.
E se eu não for contemplado por sorteio, posso dar lance a qualquer momento? Sim. Todo mês tem assembleia e você pode ofertar lance. O lance mínimo varia por administradora (5% a 10% do crédito). Lance embutido — que usa parte do próprio crédito como lance — existe em algumas administradoras e permite antecipar sem dinheiro extra. Pergunte antes de assinar.
Posso usar o crédito do consórcio pra comprar de qualquer integrador? Na maioria dos consórcios sustentáveis, sim. A carta de crédito é liberada pra aquisição de equipamentos de energia solar fotovoltaica, e o consorciado escolhe o fornecedor. O valor é pago direto ao integrador após apresentação de nota fiscal e projeto técnico. O integrador precisa ter CNPJ ativo e certificação compatível.
Financiamento solar entra no Serasa? Entra. É uma operação de crédito convencional. Parcela em atraso gera negativação. O comprometimento de renda entra na análise de crédito pra outros empréstimos. Se você planeja financiar um imóvel nos próximos 2 anos, o comprometimento da parcela solar pode reduzir o valor aprovado no crédito imobiliário. Na maioria dos cenários, parcelas de R$ 400 representam 5-8% da renda de quem instala solar (renda familiar de R$ 5 mil a R$ 8 mil) — dentro do aceitável pras análises de crédito bancárias.