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Energia Solar Explicada
Calcular economia
guias 11 min de leitura

Energia solar para empresa: quanto custa por porte, payback de 3 anos e as linhas de crédito que residencial não tem acesso

Custos de energia solar comercial por porte (10 a 75 kWp), payback de 3-4 anos, financiamento BNDES Finame e BV PJ, depreciação acelerada e cases reais.

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Equipe Editorial

Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe

Painéis solares instalados no telhado de galpão comercial brasileiro com estacionamento e caminhões ao fundo
Payback comercial de 3 a 4 anos contra 5 a 6 do residencial -- a tarifa mais alta da empresa é o que faz a diferença

Se a sua empresa gasta entre R$ 3 mil e R$ 30 mil por mês de conta de luz, o payback de um sistema solar fica entre 3 e 4 anos — contra 5 a 6 do residencial (ABSOLAR, 2025). Empresas pagam mais caro por kWh, então cada quilowatt-hora gerado no telhado vale mais. Depois do payback, são 21 a 22 anos de economia num equipamento com garantia de 25 anos. A geração distribuída comercial já acumula 11,3 GW instalados no Brasil (ABSOLAR).

Esse artigo é pra quem toma decisão de investimento. Gerente financeiro, dono de comércio, sócio de indústria. Direto nos números.

Por que empresa tem payback mais rápido que residência

A conta é direta. Um sistema de 5 kWp residencial em São Paulo com tarifa de R$ 0,645/kWh (Enel SP, ANEEL 2025) gera economia de R$ 2.870 por ano. O mesmo sistema numa empresa do Grupo B com tarifa de R$ 0,85/kWh gera R$ 3.780. São R$ 910 a mais de economia no mesmo investimento.

Mas o ganho real do comercial vai além da tarifa. Empresas instalam sistemas maiores — 10, 30, 75 kWp — e o custo por kWp cai com a escala. Um sistema residencial de 5 kWp sai por volta de R$ 3.900/kWp instalado. Um comercial de 30 kWp fica na faixa de R$ 3.200/kWp (Greener, 2025). Menos investimento por unidade de potência gerando economia sobre uma tarifa mais alta. O payback encurta dos dois lados.

Tem mais um fator que ninguém fala: o padrão de consumo. Residências geram durante o dia e consomem à noite. Empresas geram e consomem no mesmo horário — o autoconsumo instantâneo de um comércio aberto das 8h às 18h pode passar de 60%, contra 30% de uma casa. Autoconsumo não paga Fio B. No cenário de 2026, com o Fio B a 60% conforme a Lei 14.300/2022, essa diferença no perfil de consumo vale R$ 1.500 a R$ 4.000 por ano dependendo do tamanho do sistema.

Use a calculadora de payback pra simular com a tarifa real da sua distribuidora.

Quanto custa por porte de empresa

O investimento muda radicalmente conforme o consumo mensal. Uma padaria que gasta R$ 2.500 de luz precisa de um sistema bem diferente de uma indústria com conta de R$ 25 mil. A tabela abaixo usa preços médios de fevereiro de 2026, com instalação completa (painéis, inversor, estrutura, mão de obra e homologação).

Custo de energia solar comercial por porte de empresa em fevereiro de 2026
Porte Consumo mensal Sistema Investimento R$/kWp Payback estimado
Pequeno comércio 800-1.500 kWh 10 kWp R$ 36.000 R$ 3.600 3,5 anos
Médio comércio 2.500-5.000 kWh 30 kWp R$ 96.000 R$ 3.200 3,2 anos
Indústria / grande comércio 8.000-15.000 kWh 75 kWp R$ 225.000 R$ 3.000 3,8 anos

O payback do médio comércio é o mais curto porque combina boa escala com alta taxa de autoconsumo. O sistema de 75 kWp tem o menor custo por kWp, mas o payback alonga um pouco porque indústrias do Grupo A têm tarifa de consumo menor na componente TE — a economia por kWh gerado é proporcionalmente menor que no Grupo B.

Esses valores consideram tarifa média de R$ 0,80/kWh para Grupo B comercial e R$ 0,65/kWh para Grupo A industrial, irradiação de 5,0 HSP (São Paulo, CRESESB) e Fio B de 60%. Sem considerar incentivos fiscais — que encurtam o payback ainda mais pra quem é Lucro Real.

Comparacao de investimento e payback de energia solar para pequeno comercio, medio comercio e industria em fevereiro de 2026
O custo por kWp cai com a escala: de R$ 3.600 no pequeno comercio a R$ 3.000 na industria (dados Greener, fev/2026)

Grupo A vs Grupo B: o que muda no projeto solar

Se a sua empresa recebe energia em baixa tensão (127/220V), você está no Grupo B. Paga uma tarifa única por kWh consumido, igual ao residencial. A maioria dos pequenos e médios comércios está aqui: padarias, restaurantes, lojas, escritórios, clínicas.

Se recebe em média tensão (acima de 2,3 kV), está no Grupo A. Paga dois componentes: demanda contratada (R$/kW fixo por mês, independente de consumo) e consumo (R$/kWh, diferenciado por horário de ponta e fora ponta). Supermercados grandes, shoppings, indústrias e hospitais geralmente estão no Grupo A.

A diferença prática pro projeto solar é grande. No Grupo B, o dimensionamento é simples: consumo mensal dividido pela geração estimada por kWp. No Grupo A, o sistema solar reduz o consumo em kWh mas não elimina a demanda contratada — aquele custo fixo mensal continua. O engenheiro precisa analisar a curva de carga da empresa pra dimensionar corretamente e evitar surpresas na fatura.

Outra questão do Grupo A: a tarifa de consumo varia entre horário de ponta (das 18h às 21h, quando o sol já se foi) e fora ponta. A energia solar gera no horário fora ponta, onde a tarifa é menor. O sistema compensa kWh injetados contra kWh consumidos na proporção de 1:1, mas a economia real por kWh gerado é menor quando o consumo de ponta é relevante.

Na prática, empresas do Grupo A com consumo concentrado no horário comercial (8h-18h) ainda têm excelente retorno. Quem tem pico de consumo à noite — hotéis, restaurantes com operação noturna — precisa fazer a conta com mais cuidado. A calculadora de dimensionamento ajuda a estimar a geração, mas pra Grupo A o ideal é pedir um estudo técnico com a curva de carga da distribuidora.

Financiamento PJ: BNDES Finame, BV Solar e leasing

Empresa que tem capital de giro disponível paga à vista e pronto — o retorno de 25-30% ao ano é melhor que qualquer aplicação financeira. Mas a maioria não tem R$ 96 mil parados. Três caminhos se destacam pra financiar o projeto sem descapitalizar a operação.

O BNDES Finame Baixo Carbono é a linha mais barata. A taxa é composta por TLP + 0,95% do BNDES + até 3,5% do agente financeiro. Em fevereiro de 2026, isso dá algo entre 10% e 11,5% ao ano — menos da metade de um CDC bancário comum. Prazo de até 10 anos, carência de até 5 anos, e financia 100% dos equipamentos. O porém: os painéis e inversores precisam ser credenciados no BNDES (fabricação ou montagem nacional), o processo burocrático leva 30 a 60 dias e o valor mínimo de operação indireta é R$ 5 milhões — ou seja, é pra projetos de médio e grande porte. Via agente financeiro credenciado (Bradesco, Itaú, Santander), o piso pode ser menor.

O Banco BV Solar PJ é a opção mais acessível em termos de processo. Limite de até R$ 3 milhões pra pessoa jurídica, taxa a partir de 1,17% ao mês (equivalente a ~15% ao ano), prazo de 96 meses e 120 dias de carência. O BV lidera com 47% das vendas financiadas de energia solar no Brasil (Greener/Portal Solar). A aprovação é rápida — a maioria dos integradores já trabalha com o BV e o orçamento vem com a simulação pronta. Se a empresa fatura mais de R$ 300 mil por mês, a taxa tende a ser negociada abaixo de 1,17%.

O leasing solar (locação operacional) é pra quem não quer imobilizar capital nem assumir dívida. Uma empresa especializada instala o sistema no seu telhado e cobra um aluguel mensal que fica abaixo da economia na conta de luz. Contratos de 6 a 10 anos, e no final o sistema pode ser comprado por valor residual ou devolvido. A vantagem contábil: o leasing não entra como dívida no balanço da empresa (é despesa operacional). A desvantagem: você não é dono do ativo, não deprecia e economiza menos no longo prazo.

Pra comparar as três opções com valores do seu projeto, o comparador de financiamento simula parcela, custo total e economia líquida.

Comparacao de custo total de financiamento solar PJ: BNDES Finame R$ 115 mil, BV Solar R$ 140 mil e leasing R$ 155 mil para sistema de R$ 96 mil
BNDES Finame custa 20% do sistema em juros; BV Solar, 46%; leasing paga mais mas nao gera divida no balanco (dados fev/2026)

Incentivos fiscais que só PJ aproveita

Pessoa física instala energia solar e economiza na conta de luz. Pessoa jurídica faz isso e ainda reduz imposto. Três incentivos mudam a equação financeira de forma significativa.

A depreciação acelerada (Lei 14.871/2024, Decreto 12.175/2024) permite deduzir 50% do valor do sistema solar do IRPJ e CSLL no ano da instalação e os outros 50% no ano seguinte. Funciona pra empresas no Lucro Real que adquiriram equipamentos novos entre setembro de 2024 e dezembro de 2025. Num sistema de R$ 96 mil, a dedução gera economia tributária de R$ 32.640 (alíquota efetiva de 34% sobre o lucro). O payback do exemplo anterior de 3,2 anos cai pra 2,4 anos. É dinheiro que volta pro caixa da empresa já no exercício fiscal seguinte.

A isenção de ICMS sobre a energia compensada na geração distribuída existe em todos os 26 estados e no DF, via Convênio ICMS 16/2015 do Confaz. Na prática, os kWh que você injeta na rede e recebe como crédito de compensação não pagam ICMS. Isso equivale a 18-25% da tarifa, dependendo do estado. Em São Paulo, o Convênio ICMS 112/2024 estendeu essa isenção especificamente pra sistemas fotovoltaicos.

Algumas capitais ainda oferecem desconto no IPTU pelo programa IPTU Verde. Palmas (TO) dá até 40% de desconto, Goiânia (GO) até 10%, Porto Alegre (RS) até 3%. Em Palmas, isso equivale a R$ 2.000/ano num imóvel comercial de médio padrão — um incentivo que vai se acumulando ao longo de toda a vida útil do sistema.

Nenhum desses incentivos existe pra pessoa física. A diferença acumulada em 25 anos, considerando depreciação + ICMS + IPTU Verde, pode superar R$ 80 mil num sistema de 30 kWp. É o que torna o payback comercial tão mais agressivo que o residencial.

Uma padaria que economiza R$ 25 mil por ano

A Padaria Gasola, de Pelotas (RS), instalou um sistema completo de energia solar com a integradora Elysia. O resultado: economia de R$ 25 mil só no primeiro ano de operação, o que representa uma redução de 95% na conta de luz (Elysia, 2025).

O caso da Gasola ilustra algo que aparece nos dados mas que muita gente não percebe: o setor de alimentação é um dos que mais se beneficia de energia solar. Padarias, restaurantes e supermercados têm consumo alto e constante durante o horário comercial — fornos, câmaras frias, iluminação, ar-condicionado. Esse padrão de consumo diurno se alinha perfeitamente com a curva de geração solar. O autoconsumo instantâneo chega a 70% nesse tipo de negócio, minimizando a exposição ao Fio B.

A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) calcula que a conta de energia no varejo supermercadista atinge R$ 3,5 bilhões por ano. É a segunda maior despesa operacional do setor, atrás só da folha de pagamentos. Cada ponto percentual de redução nesse custo libera margem que vai direto pro resultado.

Outra referência: a Distribuidora Betel, em Curitiba (PR), cortou 95% da conta de luz após instalar painéis solares. A economia acumulada em 25 anos, com reajuste tarifário médio de 7% ao ano (ANEEL), projeta valores acima de R$ 400 mil pra sistemas desse porte.

Se a conta de luz da sua empresa pesa no resultado operacional, a simulação de economia por cidade mostra quanto você economizaria com a tarifa e irradiação da sua região.

Perguntas frequentes

Empresa do Simples Nacional pode instalar energia solar? Pode. O regime tributário não impede a instalação de geração distribuída. O que muda é que empresas do Simples não aproveitam a depreciação acelerada (benefício exclusivo do Lucro Real). Ainda assim, a economia na conta de luz e a isenção de ICMS valem pra qualquer regime.

Preciso de alvará ou licença ambiental pra instalar? Sistemas de até 75 kWp em telhado existente dispensam licença ambiental na maioria dos municípios. O processo se resume à homologação junto à distribuidora (troca do medidor pra bidirecional e registro na ANEEL como micro ou minigerador). O integrador cuida disso no pacote de instalação.

Posso instalar no terreno ao lado da empresa? Sim, desde que a unidade geradora e a consumidora estejam no mesmo CPF ou CNPJ e na mesma área de concessão da distribuidora. Isso se chama autoconsumo remoto. Empresas com telhado insuficiente instalam em terreno adjacente ou em outra propriedade do mesmo CNPJ.

Quanto tempo leva do contrato até gerar energia? De 30 a 90 dias, dependendo do porte. Sistemas pequenos (até 15 kWp) ficam prontos em 30 a 45 dias. Sistemas maiores (acima de 30 kWp) levam 60 a 90 dias por conta do projeto elétrico mais complexo e da vistoria da distribuidora.

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