Energia solar vai ficar mais cara em 2026: três tarifas novas, módulos 40% acima e por que instalar antes de abril ainda compensa
Energia solar vai ficar mais cara em 2026. Módulos subiram 40%, inversores ganharam alíquota de 20% e Fio B chegou a 60%. Veja o impacto em R$ e quando instalar.
Engenheiro Eletricista (UNESP) · Cofundador de fintech · Johns Hopkins (AI)
Sim, energia solar vai ficar mais cara em 2026. Módulos fotovoltaicos chineses já subiram 40% entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 (Canal Solar, fev/2026). Inversores ganham alíquota de importação de 20% a partir de 1.o de abril. E o Fio B saltou para 60% em janeiro. Um sistema de 5 kWp que custava R$ 19 mil em outubro de 2025 já está na faixa de R$ 22 mil — e a projeção é de R$ 25 mil no segundo semestre.
Quem instalar antes de abril escapa da alíquota nova nos inversores. Quem esperar o segundo semestre vai pagar mais caro por todos os componentes. Ainda assim, a conta de luz sobe 8% em média no ano (ANEEL, mar/2026), o que significa que o payback segue entre 4 e 6 anos em São Paulo. Energia solar ficou mais cara, sim — mas a alternativa, que é continuar pagando a distribuidora, ficou mais cara ainda.
Por que energia solar vai ficar mais cara: três pressões ao mesmo tempo
O mercado solar brasileiro enfrenta uma confluência rara: três aumentos distintos atingindo o custo ao mesmo tempo. Não é só um componente ficando mais caro. São os painéis, os inversores e o custo de uso da rede, todos subindo no mesmo ano.
Painéis: alíquota de 25% e China mais cara
Os módulos fotovoltaicos importados pagam 25% de imposto de importação desde novembro de 2024 (Resolução Gecex 666). Antes dessa mudança, a alíquota era 9,6%. O salto aconteceu de uma vez e pegou o mercado no contrapé.
Usinas grandes, acima de 5 MW, conseguiram uma cota especial: pagam só 9,6% até julho de 2026 (Canal Solar, jul/2025). Quem instala painel no telhado de casa não tem essa regalia. Paga os 25% cheios.
Pra piorar, o governo chinês cortou o reembolso de 9% que dava aos exportadores de fotovoltaicos. O corte vale a partir de abril de 2026 (PV Magazine Brasil, jan/2026). Junto com a coordenação de cortes na produção de polisilício — matéria-prima dos painéis —, o resultado é um módulo de 550W que custava R$ 700 em meados de 2025 e agora passa de R$ 1.000.
Na prática: um kit solar residencial de 5 kWp tinha custo de equipamentos entre R$ 10 mil e R$ 13 mil em fevereiro. A previsão é que esse custo chegue a R$ 14 mil a R$ 17 mil no segundo semestre.
Inversores: de 12,6% para 20% em abril
A alíquota de importação dos inversores solares subiu de 12,6% para 20% a partir de 1.o de abril de 2026 (Canal Solar, mar/2026). Baterias BESS seguiram o mesmo caminho, de 16% para 20%.
Um inversor string Growatt de 5 kW custa entre R$ 3.500 e R$ 5.000 em março de 2026. Com a alíquota nova, a faixa sobe para R$ 3.800 a R$ 5.400 — aumento de R$ 300 a R$ 400 no componente que responde por 25% a 35% do custo do sistema.
Quem está cotando proposta agora: pergunte ao integrador se o preço do inversor já inclui a alíquota de 20%. Se o orçamento é de fevereiro, provavelmente não inclui. Negocie o fechamento antes de abril e peça garantia de preço por escrito.
Fio B: 60% em 2026, 75% em 2027
O Fio B — parcela da TUSD que incide sobre a energia injetada na rede — chegou a 60% em janeiro de 2026. É o cronograma da Lei 14.300/2022: sobe 15 pontos por ano até chegar a 90% em 2028.
Pra quem mora em São Paulo e tem autoconsumo de 30% num sistema de 5 kWp, a conta é a seguinte: o Fio B come R$ 761 por ano em 2026 com tarifa de R$ 0,645/kWh da Enel SP. Ano que vem, a 75%, pula pra R$ 951. E em 2028, a 90%, bate R$ 1.141 — quase cem reais por mês só de pedágio.
Esse custo não existia para quem homologou antes de janeiro de 2023. Quem instalar agora paga o Fio B desde o primeiro dia. O artigo sobre a taxação do sol e Fio B 2026 detalha o cálculo completo e mostra quatro formas de reduzir esse pedágio.
Quanto vai custar um sistema residencial no segundo semestre
Botando na conta: a ABSOLAR estima aumento médio de 30% no custo de implantação a partir de abril (Movimento Econômico, fev/2026). A tabela abaixo compara os preços de março com a projeção para o segundo semestre.
| Sistema | Março/2026 | Projeção 2.o sem. | Diferença |
|---|---|---|---|
| 3 kWp | R$ 14.000 | R$ 18.200 | +R$ 4.200 |
| 5 kWp | R$ 22.000 | R$ 28.600 | +R$ 6.600 |
| 8 kWp | R$ 33.000 | R$ 42.900 | +R$ 9.900 |
| 10 kWp | R$ 40.000 | R$ 52.000 | +R$ 12.000 |
A projeção usa o aumento médio de 30% informado pela ABSOLAR. Preços de março baseados em orçamentos reais de integradores em SP (Canal Solar, mar/2026). Em capitais do Nordeste, os valores costumam ser 5% a 10% menores pela logística mais curta do porto de chegada dos módulos.
Um detalhe que o comprador precisa saber: esses R$ 6.600 extras num sistema de 5 kWp representam quase dois anos de economia na conta de luz. É dinheiro que você paga a mais e demora mais pra recuperar. O payback de um sistema comprado em março fica em torno de 5 anos em SP. Comprado em agosto, pode passar de 6,5 anos.
A reforma tributária que ninguém está olhando
O PLP 182/2025 é a regulamentação da reforma tributária. E tem uma mudança que afeta diretamente o preço do sistema solar: os equipamentos fotovoltaicos, que hoje pagam 3,65% de PIS/Cofins, vão migrar para CBS/IBS com alíquota efetiva de cerca de 9% — aumento de 164% na carga tributária (Portal Solar, 2025).
Quem compra agora não sente nada — o CBS/IBS entra em transição gradual a partir de 2026 e só pega cheio entre 2028 e 2033. Tem um desconto de 70% sobre a alíquota de 28%, o que joga a carga efetiva pra perto de 9%.
O problema é o futuro. Quem for comprar o sistema em 2028 ou depois paga 5,35 pontos a mais sobre tudo. São R$ 1.177 extras num kit de R$ 22 mil. Não quebra ninguém, mas entra no cálculo do payback.
Uma boa notícia: a Lei 15.269/2025 colocou baterias BESS no REIDI, com isenção de PIS/Cofins, IPI e imposto de importação até 2030. O teto é de R$ 1 bilhão por ano. Se você pensa em sistema híbrido com bateria solar residencial, esse incentivo pode fazer diferença no orçamento.
Instalar agora ou esperar: a janela do primeiro semestre
O primeiro semestre de 2026 é a última janela com preços pré-aumento em inversores e antes do corte total do subsídio chinês. A partir de abril, todos os componentes ficam mais caros de uma vez.
Três argumentos pra fechar antes de abril:
A alíquota do inversor sobe 58% (de 12,6% para 20%). Dependendo do modelo, são R$ 300 a R$ 800 a mais no orçamento. Se o integrador tem estoque de inversores comprados com alíquota antiga, negocie.
Módulos chineses ainda estão chegando ao Brasil com preço de contratos fechados em 2025. A partir do segundo trimestre, os novos embarques refletem o fim do reembolso de 9%. Os distribuidores que ainda têm estoque vão vender a preço antigo enquanto durar.
O Fio B não espera. Cada mês sem o sistema no telhado é um mês pagando tarifa cheia à distribuidora. Com reajuste de 8% previsto pela ANEEL pra 2026, a conta de luz de R$ 400 em janeiro vira R$ 432 em dezembro. Esses R$ 32/mês são R$ 384 no ano que você deixa na mesa.
E um argumento pra esperar: a Selic caiu de 15% para 14,75% em março (BACEN, mar/2026). Se o ciclo de cortes continuar, o financiamento solar fica mais barato no segundo semestre. BV parte de 1,17% a.m. e Santander de 1,11% a.m. hoje. Com Selic em 13% ou 14%, essas taxas podem cair 10% a 15%. O comparador de financiamento do site simula cenários com diferentes taxas.
O que não muda: sol, tarifa e payback positivo
A energia solar vai ficar mais cara no curto prazo, mas o cenário precisa de contexto. Três coisas continuam a favor de quem instala.
O sol não ficou mais fraco. A irradiação solar no Brasil segue entre as maiores do mundo — 4,5 a 5,5 HSP na maior parte do território (CRESESB/INPE). Um sistema de 5 kWp em São Paulo gera cerca de 7.020 kWh por ano, com ou sem tarifa de importação.
A tarifa da distribuidora sobe mais que o preço do sistema. A ANEEL projeta reajuste médio de 8% em 2026. No Sul e Sudeste, pode chegar a 9,5%. A cada ano que a tarifa sobe, a economia do seu sistema aumenta. No ano 10, a economia anual é quase o dobro do ano 1 — por causa do reajuste acumulado.
O payback continua positivo. Mesmo com sistema 30% mais caro, o retorno em São Paulo fica em torno de 6,5 anos no segundo semestre — não é os 4 anos de 2024, mas continua sendo um investimento com TIR de 14% a 18% ao ano. Melhor que CDB, que paga CDI de 14,65% bruto (10,5% líquido após IR). A calculadora de payback roda o cenário completo com Fio B e degradação.
Contexto importante: o Brasil já tem mais de 60 GW de solar instalado — segundo a ABSOLAR, é 23% de toda a eletricidade do país. Só em janeiro de 2026, solar representou 93% de tudo que entrou na matriz (Canal Solar, fev/2026). Mesmo com queda de 7% prevista nas instalações novas — culpa do custo mais alto e do curtailment nas usinas grandes —, quem põe painel no telhado de casa continua ganhando. A geração distribuída residencial não parou de crescer.
Como proteger seu orçamento em 2026
Quatro ações concretas pra quem vai instalar neste ano:
Peça três orçamentos e pergunte: “Os preços já refletem a alíquota de abril?” Se a resposta for não, peça atualização. Orçamento de fevereiro com preço velho é bomba-relógio.
Priorize integradores com estoque. Distribuidoras que compraram módulos e inversores antes de abril vendem com margem sobre o preço antigo. Quem compra sob encomenda paga o preço novo. Pergunte: “O equipamento está no seu depósito ou vai ser importado?”
Avalie microinversor versus inversor string. O microinversor é mais caro, mas dura 25 anos — uma troca a menos no ciclo de vida do sistema. Com inversores ficando mais caros, a diferença entre string e micro diminui em termos relativos.
Simule o financiamento com e sem carência. O BV permite primeira parcela em até 120 dias. Se você fechar agora e financiar com carência de 4 meses, começa a pagar em agosto — quando o sistema já está gerando economia. Use o comparador de financiamento do site.
Perguntas frequentes
Energia solar vai ficar mais cara só em 2026 ou a tendência é contínua?
Permanente, não. O que tá acontecendo em 2026 tem nome e sobrenome: alíquota de importação, China cortando subsídio, Fio B subindo 15 pontos por ano. Nenhuma dessas pressões é eterna. O polisilício já começou a se reequilibrar e os módulos devem estabilizar no segundo semestre. A única carga que fica pra sempre é a CBS/IBS da reforma tributária — e mesmo essa só pega cheio em 2028. Voltar ao preço de 2024 é sonho, mas a curva não é de alta infinita.
Mesmo com a energia solar mais cara, vale a pena instalar?
Na maioria dos casos, sim. O payback aumentou de 4-5 para 5-7 anos dependendo da região, mas a economia em 25 anos continua entre R$ 120 mil e R$ 220 mil. A alternativa é continuar pagando tarifa que sobe 5% a 9% ao ano. Veja os cenários na calculadora de payback.
O Fio B vai chegar a 100%?
Não. O cronograma da Lei 14.300 prevê 90% em 2028. A partir de 2029, a ANEEL assume a definição do percentual. Não existe previsão legal de 100%. Sempre vai sobrar uma margem de economia. O detalhe completo está no guia sobre Fio B e taxação do sol.
Financiar energia solar com Selic a 14,75% faz sentido?
Depende da taxa do financiamento. BV parte de 1,17% a.m. (CET ~15,4% a.a.) e Santander de 1,11% a.m. Se a economia mensal do sistema supera a parcela do financiamento, sim — você troca gasto fixo (conta de luz) por investimento que se paga. A Selic em queda favorece: se cair para 13% até o fim do ano, as taxas de financiamento acompanham.
Qual o melhor momento pra comprar em 2026?
Março é o último mês com inversores na alíquota antiga (12,6%). Abril em diante, tudo mais caro. Se não der pra fechar antes de abril, monitore os estoques dos distribuidores — equipamentos comprados antes da alíquota nova circulam até meados do ano. Setembro em diante é o cenário mais caro.