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Energia Solar Explicada
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Aquecimento solar de piscina: como funciona o coletor de polipropileno, quanto custa por tamanho e quando compensa mais que bomba de calor

Guia completo de aquecimento solar para piscina em 2026. Preços de R$ 900 a R$ 5.500 por tamanho, dimensionamento, marcas e comparativo com bomba de calor.

ES

Equipe Editorial

Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe

Coletores solares pretos de polipropileno instalados em telhado de casa brasileira ao lado de piscina com água azul
Kit de aquecimento solar para piscina de 20 m² custa entre R$ 1.500 e R$ 2.500 e se paga em menos de 2 anos

Sua piscina fica parada de maio a setembro? A maioria das piscinas residenciais no Brasil é usada só 5 ou 6 meses por ano. O aquecimento solar resolve isso por R$ 1.500 a R$ 5.500 — dependendo do tamanho — com custo operacional perto de zero e manutenção que se resume a uma lavada por ano. E não, não estamos falando de painéis fotovoltaicos nem de aquecedor solar de água com boiler. Aquecimento de piscina usa coletores de polipropileno — aquelas placas pretas e flexíveis que vão direto no telhado e esquentam a água por circulação.

Abaixo, os números por tamanho de piscina, como dimensionar, as marcas que dominam o mercado e a comparação honesta com bomba de calor e trocador elétrico.

Como funciona o aquecimento solar de piscina

O sistema é simples. A água da piscina sai pela bomba de filtragem (a mesma que já existe), sobe até os coletores no telhado, esquenta ao passar pelos tubos pretos expostos ao sol e volta pra piscina mais quente. Sem eletricidade extra, sem gás, sem resistência elétrica.

Os coletores de piscina são feitos de polipropileno de alta densidade ou EPDM (borracha sintética) — sempre em cor preta pra maximizar a absorção de radiação solar. Nos EUA, 91% dos coletores de piscina vendidos são de polipropileno (Nautilus, 2024). No Brasil, a proporção é parecida. Diferente do aquecedor solar de água doméstica, que usa placas metálicas de cobre com cobertura de vidro e um reservatório térmico (boiler), o sistema de piscina é aberto: a água da própria piscina circula pelos coletores e volta. Sem boiler, sem fluido intermediário, sem anticongelante.

Um controlador diferencial de temperatura (CDT) automatiza tudo. Ele tem dois sensores: um na água da piscina e outro nos coletores. Quando a diferença de temperatura entre os dois atinge o valor programado (geralmente 3 a 5 graus), o controlador aciona uma válvula de 3 vias que desvia a água para os coletores. Quando a piscina chega na temperatura desejada — tipicamente entre 28 °C e 32 °C —, a válvula fecha e a água volta a circular só pelo filtro.

Na prática, em dias de sol pleno, o sistema consegue elevar a temperatura da piscina em 1 a 2 graus por dia. Uma piscina de 20 m² que começa em 22 °C atinge 28 °C em 3 a 4 dias de operação. Com capa térmica (aquela manta bolha que cobre a superfície), a perda noturna cai drasticamente e o ganho acumulado é mais rápido — a capa sozinha já adiciona 5 a 8 graus e reduz a evaporação em mais de 95%.

Quanto custa por tamanho de piscina

Aquecimento solar de piscina é provavelmente o sistema solar mais barato que existe. Não chega perto do custo de um kit fotovoltaico. O preço final depende de três coisas: tamanho da piscina, marca dos coletores e se o kit vem com controlador + capa térmica ou se é só o básico.

Preços de kits de aquecimento solar por tamanho de piscina em fevereiro de 2026
Piscina Volume Coletores Kit básico Kit completo
Até 10 m² 14.000 L 8–12 m² R$ 900–1.200 R$ 1.500–2.000
20 m² 28.000 L 16–24 m² R$ 1.500–2.200 R$ 2.500–3.500
30–36 m² 40.000 L 24–36 m² R$ 2.200–3.000 R$ 3.500–4.500
50–60 m² 80.000 L 40–60 m² R$ 3.500–4.500 R$ 5.000–6.500

O que muda entre kit básico e completo? Básico traz só os coletores, conexões e válvulas — você cuida do resto. Completo inclui controlador digital (que liga e desliga sozinho), capa térmica e às vezes motobomba auxiliar. Preços pesquisados na Globaltech, Leroy Merlin e lojas especializadas em fev/2026. Ah, e a instalação profissional não tá nesses valores: adicione R$ 500 a R$ 1.500, dependendo se o telhado é simples ou daqueles com 3 águas e acesso difícil.

Botando na ponta do lápis: uma piscina residencial de 4 x 5 metros (20 m²) com kit completo instalado fica entre R$ 2.500 e R$ 3.500. Pra quem tem a clássica piscina de 6 x 3 metros (18 m²), o investimento é basicamente o mesmo. O metro quadrado de coletor sai entre R$ 100 e R$ 200 — varia conforme a marca e se o coletor tem selo A do INMETRO ou não.

Comparação de custo de aquecimento solar por tamanho de piscina: 10 m² por R$ 1.500, 20 m² por R$ 3.000, 36 m² por R$ 4.000 e 60 m² por R$ 5.750
Custo médio do kit completo instalado: a escala joga a favor das piscinas maiores, onde o custo por m² cai (preços de varejo, fev/2026)

Como dimensionar: a regra dos 80 a 100%

A regra prática de dimensionamento é direta: a área total de coletores deve corresponder a 80% a 100% da área da superfície da piscina (INMETRO/PBE, tabela de coletores solares para piscina). Piscina de 20 m²? Entre 16 e 20 m² de coletores no telhado. Essa proporção vale para a maior parte do Brasil — regiões com boa irradiância solar, como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e todo o Nordeste.

Em regiões serranas ou no Sul (Serra Gaúcha, Planalto Catarinense), onde o inverno é mais rigoroso e a irradiação cai, a proporção sobe pra 100% a 120% da área da piscina.

O cálculo não precisa ser exato ao metro quadrado porque o sistema é autoregulado: mais coletores significam aquecimento mais rápido, mas o controlador desliga quando a temperatura alvo é atingida. Errar pra cima (mais coletores) desperdiça um pouco de dinheiro no kit. Errar pra baixo significa que a piscina não chega na temperatura desejada nos meses frios.

Outro fator: orientação do telhado. Coletores voltados pro norte geográfico com inclinação de 15 a 25 graus aproveitam o máximo de sol. Telhados voltados pra leste ou oeste funcionam, mas com 10 a 15% de perda de eficiência. Voltados pro sul, não compensa — o ganho térmico cai demais.

Marcas e o que procurar

O mercado brasileiro de coletores solares para piscina é dominado por meia dúzia de fabricantes. Os mais encontrados:

Girassol Solar — Coletores de PAP (polímero de alta performance), tubulação com vazão 50% maior que a média. Boa relação custo-benefício. Kits completos de R$ 1.200 a R$ 4.500 dependendo do tamanho. Amplamente disponível em lojas online e revendas.

TekSol / KS Aquecedores — Coletores com classificação A no INMETRO (PBE, tabela 2023). Aquece a água até 35 °C em condições ideais. Kits com controlador digital Luxpool e capa térmica inclusa. Referência em eficiência comprovada.

Sodramar — Marca tradicional no segmento de piscinas. Kits completos com motobomba de 1/2 CV e capa bolha. Boa rede de assistência técnica.

Kisol — Placas de termoplástico com proteção UV. Modelos em diversos tamanhos (0,30 m de largura por 2 a 5 metros de comprimento). Forte no mercado de reposição e projetos sob medida.

Na hora de escolher, três critérios pesam mais que a marca: o selo INMETRO/PBE (classificação A garante eficiência mínima testada em laboratório), a garantia dos coletores (mínimo 3 anos contra defeito de fabricação — algumas marcas oferecem 5) e a disponibilidade de assistência na sua região (coletor é simples, mas se furar, precisa de reparo ou troca rápida).

Instalação: mais simples do que parece

Se você já teve orçamento de energia solar fotovoltaica, com projeto elétrico, homologação e 40 a 100 dias de prazo, vai se surpreender: instalar aquecimento de piscina é outra história. Na maioria dos casos, aproveita a bomba de filtragem que já existe (vazão mínima de 8 m³/h) e não mexe na parte elétrica da casa.

O passo a passo resumido: fixar os coletores no telhado (com suportes de alumínio ou direto nas telhas, dependendo do tipo), conectar a tubulação de ida e volta à linha de filtragem existente, instalar a válvula de 3 vias (que desvia a água para os coletores ou direto de volta à piscina) e conectar o controlador diferencial com seus dois sensores de temperatura.

Em 80% das instalações residenciais, a bomba da piscina já existente dá conta do recado. A perda de carga nos coletores de polipropileno é baixa — a água passa por tubos de grande diâmetro, sem obstáculos —, então a vazão adicional necessária é mínima. Quando a bomba é muito antiga ou subdimensionada, adiciona-se uma motobomba de 1/4 ou 1/2 CV exclusiva pro circuito solar (custo de R$ 400 a R$ 800).

O tempo de instalação é de 1 a 2 dias para um profissional. Piscinas com casa de máquinas organizada e telhado próximo levam meio dia. Projetos com telhado longe da piscina ou coletores em estrutura metálica separada podem levar dois dias completos.

Solar vs bomba de calor vs trocador elétrico

Aqui é onde a conversa fica interessante. Três formas de esquentar piscina, três contas completamente diferentes. Os números abaixo são pra uma piscina de 20 m² (28.000 litros) em São Paulo — adapte pra sua cidade.

Aquecimento solar: investimento de R$ 2.500 a R$ 3.500 (kit completo instalado). Custo operacional mensal: R$ 0 a R$ 30 (só a energia da bomba, se já não estiver incluída na filtragem). Aquece 1 a 2 graus por dia em dias de sol. Não funciona em dias chuvosos consecutivos. Payback em relação a não aquecer: imediato (a piscina simplesmente fica mais quente). Payback em relação a bomba de calor: 1,5 a 2 anos de economia operacional.

A bomba de calor é o caminho pra quem quer nadar em qualquer clima. Equipamento de 25.000 a 35.000 BTU/h sai entre R$ 8.000 e R$ 15.000. O truque da bomba de calor é o COP de 5: pra cada real de eletricidade, ela entrega cinco reais em calor. Na prática, a conta de luz sobe entre R$ 200 e R$ 500 por mês — dá pra nadar chovendo, de madrugada, em julho (Girassol Solar, 2025). Conforto tem preço.

Já o trocador de calor elétrico (resistência pura) é a armadilha dos desavisados. Investimento inicial baixo, R$ 3.000 a R$ 6.000. Aquece rápido. Só que uma piscina de 90.000 litros com trocador de resistência chega a R$ 50 por dia de energia (Brasil Piscinas, 2025). No nosso exemplo de 28.000 litros, são R$ 15 a R$ 20 por dia — R$ 450 a R$ 600 todo mês só de conta de luz. Num verão de 5 meses, vai embora R$ 2.500 a R$ 3.000 em eletricidade. É quase o preço do kit solar inteiro.

A posição é clara: se sua piscina pega sol e você não precisa de temperatura garantida em dia de chuva, aquecimento solar é imbatível no custo-benefício. Pra quem nada todo dia, inclusive no inverno e à noite, a combinação solar + bomba de calor (sistema híbrido) é a que faz mais sentido — o solar cobre 70 a 80% da demanda e a bomba de calor complementa quando falta sol.

Trocador elétrico de resistência? Só se a piscina for usada esporadicamente (academia com aula 3x por semana, por exemplo). Pra uso residencial contínuo, a conta de luz inviabiliza.

Comparação de custo anual entre aquecimento solar com R$ 180, bomba de calor com R$ 3.600 e trocador elétrico com R$ 6.000 para piscina de 20 m²
Custo operacional anual para piscina de 20 m² em SP: solar praticamente zera, bomba de calor é intermediária, trocador elétrico dispara (estimativas com tarifa Enel SP de R$ 0,645/kWh, 2025)

Manutenção e vida útil

Manutenção de aquecimento solar de piscina é quase uma piada — de tão pouca. Os coletores de polipropileno foram feitos pra aguentar cloro, algicida e tudo que se joga na água. O material não corrói, não descasca, não cria crosta.

A rotina se resume a lavar os coletores com água e sabão neutro uma vez por ano, usando uma vassoura de cerdas macias. O objetivo é remover poeira, folhas e eventual limo que reduza a absorção solar. Em regiões com muita poluição atmosférica (São Paulo capital, por exemplo), uma segunda lavagem no meio do ano ajuda.

A cada 6 meses, vale uma inspeção visual nas conexões e mangueiras. Vazamentos pequenos nas junções dos coletores são o problema mais comum — e resolvem com cola de PVC ou kit de reparo da própria marca (R$ 20 a R$ 50).

A vida útil dos coletores de polipropileno é de 15 a 20 anos (Soletrol, Heliodin — dados de garantia e testes de envelhecimento acelerado). O controlador diferencial e a válvula de 3 vias podem precisar de troca antes — a cada 8 a 12 anos, dependendo da qualidade do componente. São peças de R$ 200 a R$ 600.

Comparado com bomba de calor (que exige recarga de gás a cada 3 a 5 anos por R$ 300 a R$ 800 e tem vida útil de 10 a 15 anos) e trocador elétrico (resistência com vida útil de 5 a 8 anos), o solar ganha de lavada no custo de manutenção ao longo da vida.

Capa térmica: o acessório que faz toda a diferença

Se tem um item que multiplica a eficiência do aquecimento solar, é a capa térmica (ou manta bolha). Ela custa entre R$ 100 e R$ 400 dependendo do tamanho da piscina e parece um plástico bolha azul que flutua na superfície.

Os números justificam: a capa reduz a evaporação da água em mais de 95%, corta a perda de calor noturna pela metade e sozinha consegue aumentar a temperatura em 5 a 8 graus em relação à piscina descoberta. Num sistema de aquecimento solar, a capa transforma o resultado. Sem ela, boa parte do calor ganho durante o dia se perde à noite. Com ela, o sistema acumula temperatura dia após dia.

Uma piscina de 20 m² em São Paulo, com coletores dimensionados em 100% da área e capa térmica, mantém entre 27 °C e 30 °C de junho a agosto — meses em que a temperatura da água sem aquecimento ficaria entre 18 °C e 22 °C. Sem a capa, o mesmo sistema chega a 25 °C nos meses frios. Dois graus a menos podem parecer pouco, mas na prática são a diferença entre uma piscina agradável e uma que ninguém entra.

Quando o solar não é a melhor escolha

Pra ser justo: tem situações em que aquecimento solar de piscina não faz sentido ou não resolve sozinho.

Piscinas cobertas ou com pouca incidência solar no telhado. Se a área disponível pro coletor não chega a 50% da área da piscina, o sistema vai subdimensionado e a água não atinge a temperatura desejada nos meses frios. Nesses casos, bomba de calor é a alternativa.

Quem precisa de temperatura controlada o ano todo, independente do clima. Academias, clínicas de fisioterapia, hotéis — locais onde a piscina precisa estar a 28 °C chovendo ou fazendo sol. O solar depende do clima e tem variação diária. A bomba de calor mantém temperatura constante.

Regiões com invernos muito rigorosos e longos. Na Serra Gaúcha ou no Planalto Serrano de SC, onde a temperatura ambiente fica abaixo de 10 °C por semanas, o solar sozinho não sustenta a piscina aquecida. O sistema híbrido (solar + bomba de calor) funciona, mas o investimento combinado fica entre R$ 12.000 e R$ 20.000.

Piscinas muito grandes (acima de 80 m²) em propriedades sem telhado suficiente. Os coletores precisam de área. Se a piscina tem 100 m² e o telhado disponível tem 40 m², a conta não fecha. Estruturas metálicas independentes resolvem, mas encarecem o projeto em R$ 3.000 a R$ 8.000 só na estrutura.

Perguntas frequentes

Aquecimento solar de piscina é a mesma coisa que painel fotovoltaico? Não. Painel fotovoltaico gera eletricidade a partir da luz solar. Coletor de piscina aquece água diretamente — é um sistema térmico, sem geração de energia elétrica. Os coletores de polipropileno custam uma fração do preço dos painéis fotovoltaicos e são específicos pra aquecimento de água. Se você quer entender energia solar fotovoltaica e se vale a pena, é outro sistema (e outro artigo).

Posso usar a bomba da piscina que já tenho? Na maioria dos casos, sim. A bomba de filtragem com vazão mínima de 8 m³/h já atende ao circuito solar. Em 80% das instalações residenciais, nenhuma bomba adicional é necessária. Só é preciso adicionar quando a bomba existente é muito antiga ou a distância até o telhado é grande (acima de 15 metros com desnível).

Quanto tempo leva pra aquecer a piscina? De 2 a 4 dias de sol pleno pra atingir a temperatura alvo (28-30 °C) partindo da temperatura ambiente. Depois da primeira aquecida, o sistema mantém a temperatura com circulação diária de 4 a 6 horas. A capa térmica acelera esse processo e reduz a perda noturna.

O aquecimento solar funciona no inverno? Sim, mas com limitações. Em São Paulo e no Sudeste, o sistema mantém a piscina entre 25 °C e 30 °C no inverno com capa térmica. Em regiões serranas ou no Sul, a temperatura pode ficar entre 22 °C e 26 °C — agradável pra muita gente, mas não pra quem quer 30 °C garantidos. Nesses casos, o sistema híbrido com bomba de calor é a saída. A manutenção de sistemas solares é simples e ajuda a manter a eficiência mesmo nos meses frios.

Precisa de projeto ou aprovação da distribuidora? Não. Diferente da energia solar fotovoltaica, o aquecimento solar de piscina não gera eletricidade nem injeta nada na rede. Não precisa de homologação, não precisa de troca de medidor, não tem Fio B. A calculadora de dimensionamento fotovoltaico do site é pra outro tipo de sistema — mas se você está pensando em combinar os dois, vale simular.

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