Energia solar vale a pena em 2026? Simulamos o payback em 3 capitais brasileiras com Fio B incluso
Analisamos se energia solar residencial compensa em 2026 com números reais de Belém, SP e Florianópolis. Payback de 4 a 8 anos, mesmo com Fio B a 60%.
Equipe Editorial
Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe
Sim, vale. Na maioria das capitais brasileiras, o payback de um sistema solar residencial fica entre 4 e 8 anos em 2026. Depois disso, são 17 a 21 anos de economia quase pura. Parece bom demais? A gente simulou os números em três cidades bem diferentes pra mostrar onde a conta fecha de lavada e onde ela aperta.
Três cenários reais: Belém, São Paulo e Florianópolis
Pegamos as tarifas residenciais da ANEEL (2025) e a irradiação solar do CRESESB pra três capitais que representam os extremos do Brasil. Os cálculos já incluem Fio B progressivo (Lei 14.300/2022), degradação de 0,5% ao ano nos painéis, reajuste tarifário de 7% ao ano e manutenção de 1% do investimento. Consumo base: 400 kWh/mês, ligação monofásica.
Belém (PA) paga a tarifa residencial mais salgada do país. R$ 0,938 por kWh na Equatorial Pará (ANEEL, 2025). A irradiação é decente, 5,0 HSP. Um sistema de 3,16 kWp com 6 painéis de 550W custa uns R$ 14.200 e entrega 370 kWh/mês. Payback: 4,1 anos. Em 25 anos, a economia líquida bate R$ 186 mil — já descontando tudo, Fio B e manutenção inclusos. ROI acima de 1.200%.
A situação de São Paulo (SP) é mais comedida. Tarifa de R$ 0,645/kWh na Enel SP, irradiação de 5,0 HSP. Mesmo sistema, mesmo custo de R$ 14.200, mesma geração de 370 kWh/mês. Mas a tarifa 31% menor que Belém joga o payback pra 5,7 anos. Economia em 25 anos: R$ 127 mil. ROI de 792%. Compensa? Sem dúvida. Só demora um pouco mais.
Já Florianópolis (SC) é o teste de estresse. Tarifa da Celesc a R$ 0,531/kWh — a mais baixa entre as três — e irradiação de apenas 4,3 HSP. O sol mais fraco obriga a instalar um painel a mais: 3,68 kWp, 7 painéis, R$ 16.560. Payback: 7,8 anos. Economia em 25 anos: R$ 103 mil. O ROI de 523% ainda é muito bom, mas é metade do que se consegue em Belém.
Repare: quase 4 anos de diferença no payback entre a melhor e a pior capital. Quem mora numa cidade com tarifa acima de R$ 0,70/kWh — Belém, Rio, Campo Grande, Macapá, Porto Velho — tem o retorno mais rápido do país.
O Fio B muda a conta, mas não mata o negócio
Quem pesquisou “taxação do sol” provavelmente já ouviu falar do Fio B. A história é a seguinte: a Lei 14.300/2022 criou um pedágio progressivo sobre a energia que você injeta na rede. Antes de 2023, cada kWh injetado voltava como crédito cheio. Agora existe uma cobrança sobre o uso do fio de distribuição — daí o nome.
O cronograma é escalonado: 15% em 2023, 45% em 2025, 60% agora em 2026, e chega a 90% em 2029. Quem homologou o sistema antes de julho de 2023 não paga nada disso até 2045 — é o tal direito adquirido que fez muita gente correr pra instalar em 2022.
Mas o impacto real é menor do que parece. O Fio B incide sobre a parcela TUSD da tarifa (uns 40% do total), e só sobre a energia que vai pra rede — não sobre o que você consome na hora que gera. Se 30% da sua geração é autoconsumo, o Fio B pega os outros 70%.
Na simulação de São Paulo: Fio B a 60% custa cerca de R$ 630 por ano em 2027. A economia bruta do sistema naquele ano? R$ 3.100. Sobram R$ 2.100 líquidos. A mordida existe, mas está longe de inviabilizar.
Uma novidade: a Lei 15.269/2025 regulamentou baterias residenciais. Quem instalar bateria e subir o autoconsumo pra 60-70% praticamente anula o Fio B. O custo das baterias ainda não compensa na maioria dos casos, mas a tendência é mudar até 2028.
Quanto custa instalar em 2026
O investimento fica entre R$ 4.500 e R$ 6.000 por kWp instalado (Greener, Portal Energia Brasil). Os módulos representam de 25% a 40% desse valor — detalhamos preços por potência e marca neste guia. O restante é inversor, estrutura, cabeamento, projeto e mão de obra.
Nos cenários que simulamos, o desembolso vai de R$ 14.200 (Belém e São Paulo, 3,16 kWp) a R$ 16.560 (Florianópolis, 3,68 kWp). Florianópolis precisa de um painel a mais porque recebe menos sol.
Detalhe que poucos integradores estão mencionando: os módulos subiram entre 10% e 15% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Polisilício mais caro, prata em recorde histórico e China cortando subsídio de exportação (Canal Solar, jan/2026). A projeção para o ano é de alta acumulada de 25-30% nos módulos. Como o módulo é só parte do custo, o impacto no sistema instalado fica em 10-15%. Ainda assim, quem quer travar preço tem vantagem no primeiro trimestre.
Quando não compensa
Vamos ser diretos. Tem gente que não deveria instalar painel agora.
Consumo abaixo de 200 kWh/mês é o caso mais claro. A ligação monofásica tem custo de disponibilidade de 30 kWh — esse mínimo você paga de qualquer jeito. Num consumo de 200 kWh, o sistema compensa só 170 kWh. Em São Paulo, o payback fica em 5,7 anos pra um investimento de R$ 6.500. A economia: R$ 110 por mês. Funciona tecnicamente, mas R$ 6.500 aplicados num CDB a 100% do CDI podem render mais com menos risco.
Telhado com sombra é outro impeditivo sério. Árvores altas, prédio vizinho, caixa d’água mal posicionada. E o problema não é linear: um painel parcialmente sombreado pode derrubar a geração da string inteira, dependendo da configuração. Microinversores resolvem parcialmente, mas custam mais. Se tem sombra por mais de 3 horas/dia numa área significativa do telhado, o projeto precisa de análise técnica muito cuidadosa antes de qualquer decisão.
Quem pretende se mudar nos próximos 5 anos também deve pensar duas vezes. Os painéis ficam no imóvel. Até dá pra negociar na venda, mas comprador raramente paga o valor integral de um sistema usado. Aluguel? Pior ainda: a instalação vira benfeitoria do proprietário.
E tem as cidades onde tarifa baixa e pouco sol se combinam. Florianópolis, Curitiba (HSP 4,5, tarifa R$ 0,544) e Porto Alegre (HSP 4,6, tarifa R$ 0,551) têm payback acima de 7 anos. O investimento ainda é positivo em 25 anos, mas o custo de oportunidade do capital precisa entrar na conta.
Solar vs renda fixa: a comparação que falta
R$ 14.200 num CDB a 100% do CDI (Selic a 13,25% em fev/2026, BACEN) rendem cerca de R$ 170 mil líquidos de IR em 25 anos. Os mesmos R$ 14.200 em painéis solares em Belém geram economia de R$ 186 mil no mesmo período. E a economia solar não paga imposto de renda.
Em São Paulo, solar perde: R$ 127 mil contra R$ 170 mil do CDB. Só que a Selic não vai ficar em 13,25% por 25 anos — em 2021 era 2%. A energia solar é um hedge: os reajustes tarifários de 7% ao ano (ANEEL) fazem a economia crescer com o tempo, independente de política monetária.
A métrica mais honesta é a TIR — taxa interna de retorno. Em Belém, o investimento solar rende uns 25% ao ano. São Paulo, 17%. Florianópolis, 12%. Qualquer fundo de renda fixa com esses números e essa previsibilidade seria considerado excepcional.
Checklist antes de fechar
Peça o dimensionamento exato pro seu consumo. Sistema grande demais gera créditos que expiram em 60 meses. Pequeno demais não elimina a conta. O ideal: cobrir 90-100% do consumo excedente ao custo de disponibilidade.
Compare 3 orçamentos na mesma cidade. A variação chega a 30% pro mesmo sistema. Se alguém promete payback de 2 anos ou usa equipamento sem certificação INMETRO, fuja.
Analise o sombreamento de manhã, ao meio-dia e à tarde. Integrador sério faz simulação com drone ou software. Os que aparecem só com uma trena e um orçamento pronto merecem desconfiança.
Se o payback é menor que o prazo de financiamento, financiar faz sentido. No Banco BV (a partir de 1,17% a.m., até 96 meses), a parcela pode sair menor que a economia na conta. A Solfacil oferece até 120 meses com 6 meses de carência. Nesse cenário, você troca a conta de luz por uma parcela menor desde o primeiro mês.
Por último: investigue a empresa instaladora. Reclame Aqui, referências de clientes, visite uma obra pronta se puder. Os painéis têm garantia de 25 anos, mas a empresa pode não durar 5. Prefira integradores que compram de distribuidores oficiais e dão garantia própria de obra.
Resumindo
Energia solar compensa em 2026 pra quem consome acima de 300 kWh/mês em cidade com tarifa acima de R$ 0,60/kWh. O Fio B a 60% tira uma fatia da economia, mas não inverte a conta. Os módulos estão subindo de preço, então fechar no primeiro semestre tem vantagem. O payback vai de 4 anos nas capitais com tarifa cara a 8 anos nas cidades do Sul.
Pra quem consome pouco, mora de aluguel ou tem telhado complicado, vale esperar ou considerar energia solar por assinatura — sem instalação, sem investimento inicial. A gente detalha outras opções de economia com solar no blog.