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guias 11 min de leitura

Taxação do sol 2026: entenda o Fio B a 60%, calcule o impacto no seu payback e descubra como pagar menos

Taxação do sol Fio B 2026 chegou a 60%. Cronograma até 2029, custo real por distribuidora e 4 formas de reduzir o pedágio no sistema.

Atualizado em
Rodrigo Freitas

Rodrigo Freitas

Engenheiro Eletricista (UNESP) · Cofundador de fintech · Johns Hopkins (AI)

Medidor bidirecional de energia em parede de casa brasileira com painéis solares no telhado e céu azul ao fundo
Fio B a 60% custa R$ 56/mês num sistema típico de SP — mas a economia líquida ainda passa de R$ 250/mês

A taxação do sol Fio B 2026 chegou a 60% em janeiro. Quem tem painel solar homologado depois de 7 de janeiro de 2023 paga esse percentual sobre cada kWh injetado na rede. O número subiu 15 pontos em relação a 2025 e vai subir mais 15 por ano até chegar a 90% em 2028.

A conta prática: num sistema de 5 kWp em São Paulo com 30% de autoconsumo, o custo do Fio B saltou de R$ 571 por ano em 2025 para R$ 761 em 2026. São R$ 63 por mês a mais que a distribuidora fica com o kWh injetado. A economia bruta do mesmo sistema ainda passa de R$ 4.528 anuais. O Fio B consome 17% — os outros 83% são seus.

O problema não é o valor isolado de 2026. É a trajetória: em 2028, a 90%, a conta chega a R$ 1.309 por ano. Este guia abre o cálculo inteiro, compara cenários por distribuidora, mede o impacto no payback e mostra o que dá pra fazer.

O que é o Fio B e como calcular o seu custo

O Fio B é uma parcela da TUSD — Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição. É o custo de manter postes, cabos e transformadores que conectam sua casa à rede. Todo consumidor paga. O diferencial de quem tem geração distribuída é que, antes da Lei 14.300, compensava 100% desse custo com os créditos solares.

A lógica da mudança: antes de 2023, quem injetava energia na rede usava a infraestrutura da distribuidora pra “armazenar” créditos sem pagar nada pelo transporte. Quem bancava esse custo era o vizinho sem painel — um subsídio cruzado embutido na tarifa de todos. A Lei 14.300 criou uma transição gradual pra acabar com isso.

Tecnicamente, o Fio B não é imposto. Governo nenhum arrecada com ele — o dinheiro vai pra distribuidora. Mas a alcunha “taxação do sol” pegou no vocabulário popular, e faz sentido: é um custo que só incide por você ter gerado energia e injetado na rede.

A fórmula tem quatro variáveis:

Custo anual do Fio B = energia injetada (kWh) × tarifa (R$/kWh) × peso da TUSD (%) × percentual do Fio B no ano (%)

Energia injetada é o que o sistema gera menos o que você consome na hora da geração. Sistema de 5 kWp em SP gera cerca de 7.020 kWh anuais. Com 30% de autoconsumo, você usa 2.106 kWh instantaneamente — os outros 4.914 vão pra rede. Quanto maior o autoconsumo, menor a energia injetada, menor o Fio B.

Tarifa varia muito entre distribuidoras. A Equatorial Pará cobra R$ 0,938/kWh — quase o dobro da Celesc em Santa Catarina (R$ 0,531/kWh). A ANEEL publica todas as tarifas homologadas.

Peso da TUSD gira entre 28% e 40% da tarifa total dependendo da distribuidora. Nos cálculos aqui, uso 40% pra ter margem conservadora.

Percentual do ano segue o cronograma da Lei 14.300/2022:

AnoFio B cobradoCompensado
202315%85%
202430%70%
202545%55%
202660%40%
202775%25%
2028+90%10%
2029+A definir (ANEEL)

O teto de 90% está na lei. A partir de 2029, a ANEEL define nova metodologia com base em estudos de custos e benefícios da GD. A agência abriu a Tomada de Subsídios nº 23/2025 com contribuições até março de 2026 e conclusão do processo regulatório prevista para 2027.

Cronograma do Fio B de 2023 a 2028: percentuais de 15% a 90%, com exemplo de custo anual para sistema de 5 kWp em Sao Paulo mostrando R$ 571 em 2025, R$ 761 em 2026 e R$ 1.309 em 2028
O Fio B sobe 15 pontos por ano — o custo mais que dobra entre 2025 e 2028, mas o reajuste tarifário de 7% ao ano faz a economia bruta crescer junto

Quanto custa em reais: 4 distribuidoras comparadas

Simulamos o custo do Fio B para um sistema padrão de 5 kWp, autoconsumo de 30% e ligação monofásica, nas quatro distribuidoras que cobrem boa parte do país:

Custo anual do Fio B a 60% em 2026 para sistema de 5 kWp em quatro distribuidoras
Distribuidora Tarifa (R$/kWh) Fio B/ano Fio B/mês % da economia bruta
Equatorial PA R$ 0,938 R$ 1.106 R$ 92 17%
Enel SP R$ 0,645 R$ 761 R$ 63 17%
Cemig MG R$ 0,607 R$ 716 R$ 60 17%
Celesc SC R$ 0,531 R$ 626 R$ 52 17%

Um detalhe que confunde: Belém paga o Fio B mais alto em valor absoluto (R$ 1.106/ano), mas proporcionalmente perde o mesmo percentual de 17% da economia que qualquer outra distribuidora — porque Fio B e economia bruta escalam juntos com a tarifa. A diferença só aparece em reais absolutos.

A conta simplificada pra qualquer distribuidora: pegue sua tarifa, multiplique por 0,40 (TUSD estimada), multiplique por 0,60 (Fio B 2026), multiplique pela energia que seu sistema injetaria por mês. Resultado: seu custo mensal de Fio B em 2026.

Pra entender como os créditos aparecem na fatura, consulte o guia de créditos de energia solar.

O impacto real no payback — e a retração do mercado

Essa é a pergunta que importa: quanto tempo a mais o Fio B adiciona no retorno do investimento?

Rodamos a simulação para um sistema de 5 kWp em São Paulo. Dados usados: investimento de R$ 18.000 (referência de mercado fev/2026, quanto custa energia solar residencial), tarifa Enel SP de R$ 0,645/kWh, degradação dos painéis de 0,5% ao ano, reajuste tarifário de 7% ao ano.

Comparacao de payback em 3 cenarios: sem Fio B (GD-I) com 4,6 anos e R$ 230 mil de economia em 25 anos, com Fio B a 6 anos e R$ 171 mil, e com bateria com 5,3 anos e R$ 197 mil
O Fio B adiciona 1,4 ano no payback e custa R$ 59 mil em 25 anos — mas o ROI de 850% supera qualquer renda fixa

Sem Fio B (GD-I, homologado antes de julho de 2023): payback de 4,6 anos, economia de R$ 230 mil em 25 anos. ROI de 1.178%.

Com Fio B do cronograma completo (60% em 2026 subindo a 90%): payback de 6,0 anos, economia de R$ 171 mil. Diferença: 1,4 ano a mais e R$ 59 mil a menos. Dói, mas R$ 171 mil sobre R$ 18.000 investidos é ROI de 850%. Com a Selic a 14,75%, um CDB a 100% do CDI renderia R$ 140 mil brutos em 25 anos — e pagaria de 15% a 22,5% de imposto de renda. Solar não paga nada.

Com bateria de 5 kWh (autoconsumo sobe de 30% pra 60%): payback de 5,3 anos, economia de R$ 197 mil. A bateria recuperou 7 meses e R$ 26 mil. Para isso, a bateria solar residencial precisa custar até R$ 8 mil (LiFePO4 5 kWh). Acima de R$ 12 mil, ainda não compensa.

Para montar sua simulação com os seus números reais, veja o guia completo de payback.

O mercado sentiu o impacto. O setor solar retraiu 29% em 2025, passando de 15 GW adicionados em 2024 para 10,6 GW, segundo a ABSOLAR. Os investimentos caíram 40%. O Fio B foi um dos fatores, mas não o único — a principal causa foi a negativa de conexão pelas distribuidoras, sob alegação de inversão de fluxo (quando a geração solar supera o consumo local e sobrecarrega o transformador). A ABSOLAR projeta nova queda de 7% em 2026.

4 formas de pagar menos Fio B

Cada kWh que você consome na hora da geração não paga pedágio. Injetou na rede? Pagou. A estratégia toda gira em torno do fator de simultaneidade entre geração e consumo.

1. Desloque as cargas pesadas pro horário solar. Lava-roupa, lava-louça, secadora, bomba da piscina, carregador de carro elétrico — tudo entre 10h e 15h. Quem sobe o autoconsumo de 30% pra 50% corta 28% da energia injetada. Em SP, o Fio B cai de R$ 761 pra R$ 543 por ano. São R$ 218 de economia anual sem gastar nada.

2. Aquecedor de água solar ou boiler elétrico programado. O aquecedor solar elimina parte da carga elétrica e corta a geração necessária, reduzindo a injeção. O boiler elétrico programado pro meio-dia funciona como “bateria térmica” — usa a energia gerada na hora de pico sem precisar de equipamento de armazenamento. Veja também aquecimento solar de piscina se tiver bomba no quintal.

3. Inversor com grid zero ou export limiter. Alguns inversores Growatt e Deye têm função de limitar a exportação. Quando a geração supera o consumo, o inversor reduz a potência em vez de injetar o excedente. A energia se perde — mas zero kWh injetado significa zero reais de Fio B. Faz sentido pra quem tem consumo alto durante o dia e não quer acumular créditos que expiram em 60 meses.

4. Inversor híbrido com bateria. A Lei 15.269/2025 incluiu baterias (BESS) no REIDI com isenção de PIS/Cofins até 2030, teto de R$ 1 bilhão/ano em desoneração (Câmara dos Deputados, nov/2025). No entanto, a alíquota geral de importação de baterias subiu de 16% para 20% em abril de 2026 — a isenção do REIDI vale para projetos de infraestrutura, não para compras residenciais. Mesmo assim, a ABSOLAR projeta que o custo por kWh armazenado vai cair abaixo de R$ 1.000 até 2028 (hoje: R$ 1.200 a R$ 1.500/kWh). Se um kit de 5 kWh sair por R$ 5.000, o payback da bateria fecha em cerca de 6 anos com Fio B a 90%.

Se está projetando sistema agora, peça ao integrador orçamento com inversor híbrido. Custa 15-20% a mais que o string convencional, mas aceita banco de baterias sem obra elétrica futura. Compare as duas topologias no guia de on-grid vs off-grid e financiamento no comparativo de financiamento.

Direito adquirido, leis e o que veio de novo em 2025

A Lei 14.300 dividiu os sistemas em faixas. Se você protocolou o acesso na distribuidora até 7 de janeiro de 2023, entrou como GD-Icompensação integral até 31 de dezembro de 2045. Sem Fio B. Nenhum centavo.

Quem instala de 2023 em diante é GD-III e segue o cronograma de 15% a 90%. Não tem como escapar retroativamente.

Por que isso importa agora? O Brasil ultrapassou 3 milhões de sistemas residenciais (ABSOLAR, 2025), e boa parte é GD-I. Se você está comprando casa com painéis, pergunte o ano de homologação da GD. Sistema GD-I vale R$ 59 mil a mais de economia em 20 anos comparado a instalar do zero hoje.

O que a Lei 15.269/2025 trouxe de novo: ela não mexeu no cronograma do Fio B. O que mudou: regulamentação do armazenamento pela ANEEL, desoneração fiscal de baterias (BESS) até 2030 e o programa REIDI expandido para projetos de storage. Na prática, a 14.300 criou o pedágio e a 15.269 abriu caminho pra solução (baterias mais baratas). Detalhamos tudo no guia completo da Lei 14.300.

Quem espera, quanto perde — e energia por assinatura

O custo do adiamento: quem olha pro Fio B crescendo e pensa “melhor esperar” está fazendo uma conta errada. Quem instala em janeiro de 2026 pega 60% no primeiro ano, 75% no segundo, 90% daí em diante — economia de R$ 171 mil em 25 anos. Quem espera até 2028 entra direto nos 90% e perde dois anos pagando conta de luz cheia. A R$ 330/mês (500 kWh na Enel SP), são R$ 7.920 sem retorno. Some que o kit de energia solar deve custar mais com dólar e polisilício encarecendo. Na ponta do lápis, esperar custa entre R$ 15 mil e R$ 22 mil.

A exceção: se o objetivo é esperar a bateria ficar mais barata pra instalar um sistema híbrido desde o início, faz sentido. Isso é diferente de esperar o Fio B baixar — que não há sinal de que vai acontecer.

Energia por assinatura também paga Fio B. Na geração compartilhada, a usina remota injeta na rede e o assinante recebe créditos. O Fio B incide sobre esses créditos da mesma forma. O custo fica embutido no desconto que a empresa de energia solar por assinatura oferece. Se o desconto era de 15-20% antes do Fio B a 60%, em 2026 tende a cair pra 10-15%.

Como calcular o Fio B pro seu sistema — e o que fazer agora

A conta universal:

  1. Geração anual: kWp do sistema × HSP da sua cidade × 365 × 0,78 (eficiência). Não sabe o HSP? Veja em quantas placas solares preciso.

  2. Estime o autoconsumo. Sem bateria: 25-35% (casa com gente trabalhando fora). Home office: 35-45%. Com bateria: 50-70%.

  3. Energia injetada: geração anual × (1 − autoconsumo). Exemplo: 7.020 × 0,70 = 4.914 kWh.

  4. Fio B 2026: energia injetada × tarifa × 0,40 (TUSD) × 0,60 (percentual). Pra SP: 4.914 × R$ 0,645 × 0,40 × 0,60 = R$ 761/ano.

  5. Confronte com a economia bruta: geração × tarifa. 7.020 × R$ 0,645 = R$ 4.528/ano. O Fio B consome 17% da economia. Os outros 83% são seus.

Com o Fio B a 90% em 2028 (e reajuste de 7% ao ano na tarifa), esse percentual sobe pra cerca de 22%. Mas a economia bruta também cresce com a tarifa. No ano 10, você economiza mais do que no ano 1, mesmo com Fio B cheio. O reajuste tarifário é o aliado silencioso do investidor solar.

O que fazer agora: se você tem sistema GD-I, não precisa fazer nada. Se vai instalar, peça orçamento com inversor híbrido. Se já tem sistema GD-III, avalie o deslocamento de cargas pro horário solar — é gratuito e reduz o Fio B imediatamente. Para o passo a passo completo de instalação de energia solar e de quanto economizar por faixa de consumo, os guias têm tudo atualizado para 2026.

Perguntas frequentes

O Fio B vai baixar depois de 2028? A lei fixa 90% a partir de 2028. De 2029 em diante, a ANEEL define nova metodologia com estudos de custos e benefícios. A tomada de subsídios foi aberta em dezembro de 2025, com conclusão prevista para 2027. Não há garantia de redução — faça as contas com 90% como teto permanente.

Tenho sistema GD-I. Preciso fazer alguma coisa? Não. A isenção até 2045 é automática. A distribuidora já tem o registro da data de homologação. Você não precisa protocolar nada.

Autoconsumo de 30% é pouco. Dá pra subir sem bateria? Dá. Deslocar cargas pesadas pro meio-dia chega a 45-50% sem gastar nada. Home office sobe pra 40% naturalmente. O inversor com grid zero elimina a injeção, mas você perde os créditos em vez de acumular.

Com bateria, pago zero de Fio B? Quase zero. Bateria de 5 kWh com autoconsumo de 70% reduz a injeção pra 30% da geração. Em SP, o Fio B cairia pra uns R$ 561/ano em vez de R$ 1.309 em 2028. Não zera porque dias muito ensolarados geram acima da capacidade de armazenamento. A redução é de 57%.

Quem já tem sistema GD-III pode escapar do aumento? Não retroativamente. A classificação foi definida pela data de protocolo. O que dá pra fazer: aumentar autoconsumo, instalar bateria quando o preço cair, ou adotar export limiter no inversor. Também vale comparar o custo de instalar mais painéis solares pra compensar o Fio B com maior economia bruta.

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