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Energia Solar Explicada
Calcular economia

Energia solar on-grid, off-grid e híbrido: qual escolher

Existem três tipos de sistema solar: on-grid (conectado à rede), off-grid (isolado, com baterias) e híbrido (conectado à rede com bateria de backup). No Brasil residencial, 99% das instalações são on-grid — é a opção mais barata e mais prática pra quem tem acesso à rede elétrica. Off-grid domina em propriedades rurais remotas. Híbrido cresce devagar, mas a nova regulamentação de baterias pode mudar isso.

A escolha entre os três define custo, retorno e autonomia do seu sistema. Vamos às diferenças concretas.

On-grid: o padrão residencial

Sistema on-grid (ou grid-tie) é conectado à rede da distribuidora. Os painéis geram energia, o inversor converte, e o que você não consome na hora vai pra rede e vira crédito. À noite, você usa a rede normalmente e os créditos descontam da fatura.

O que precisa: painéis + inversor string (ou micro) + medidor bidirecional + homologação na distribuidora.

O que não precisa: bateria. A rede funciona como uma "bateria virtual" gratuita.

Custo: R$ 3.500 a R$ 5.000 por kWp instalado. Um sistema de 5 kWp sai entre R$ 17 mil e R$ 22 mil.

Payback: 4 a 7 anos dependendo da tarifa e do sol.

Limitação: quando a rede cai, o sistema desliga por segurança (anti-ilhamento). Seus painéis estão gerando, mas a casa fica sem luz. Isso frustra muita gente, mas é obrigatório pra não eletrocutar técnicos da distribuidora.

Off-grid: independência com custo

Sistema off-grid é totalmente desconectado da rede. A energia gerada vai pra baterias, que alimentam a casa 24 horas. Sem distribuidora, sem conta de luz, sem Fio B. Mas também sem a rede como backup quando o sol some.

O que precisa: painéis + controlador de carga + banco de baterias + inversor off-grid + gerador de backup (recomendado).

Custo: R$ 9.000 a R$ 14.000 por kWp instalado — 2x a 3x mais que on-grid. A diferença é quase toda em baterias. Um sistema de 5 kWp com 2 dias de autonomia custa de R$ 45 mil a R$ 70 mil.

Payback: difícil de calcular porque não há conta de luz de referência. Em propriedades rurais que gastam R$ 800-1.500/mês com gerador diesel, o payback pode ser de 5-8 anos.

Onde faz sentido

O off-grid não é escolha — é necessidade. Fazendas, sítios e comunidades rurais sem acesso à rede elétrica. O Programa Luz para Todos (governo federal) trouxe rede pra 16 milhões de brasileiros, mas estimam-se 500 mil propriedades rurais ainda sem eletricidade (EPE, 2024). Pra essas pessoas, off-grid é a única opção viável.

Outro caso: estações de bombeamento solar. Irrigação, dessalinização e criação de animais em áreas remotas do semiárido usam sistemas off-grid com bomba solar — mais barato e confiável que levar rede elétrica por quilômetros.

As baterias

O banco de baterias é o componente crítico do off-grid. A tecnologia dominante é o lítio ferro-fosfato (LFP), com vida útil de 6.000 a 10.000 ciclos (10-15 anos em uso diário).

O custo por kWh armazenado fica entre R$ 3.000 e R$ 5.000 em 2026. Pra 2 dias de autonomia numa casa que consome 400 kWh/mês (13 kWh/dia), você precisa de ~26 kWh de bateria. A um custo médio de R$ 4.000/kWh, são R$ 104 mil só em baterias — mais que o dobro dos painéis.

Baterias de chumbo-ácido são alternativa mais barata (R$ 1.000-1.500/kWh), mas duram menos (3-5 anos), ocupam mais espaço e precisam de manutenção. Estão saindo do mercado residencial, mas ainda são usadas em sistemas rurais de menor exigência.

Híbrido: o melhor dos dois mundos

O sistema híbrido combina on-grid com bateria. No dia a dia, funciona como on-grid normal: gera, consome, injeta excedente. Quando a rede cai, o inversor híbrido muda automaticamente pra bateria e mantém os circuitos essenciais (geladeira, iluminação, roteador) funcionando.

O que precisa: painéis + inversor híbrido + bateria de lítio + medidor bidirecional + homologação.

Custo: R$ 5.500 a R$ 8.000 por kWp instalado. Um sistema de 5 kWp com bateria de 5 kWh (backup de ~8 horas pra cargas essenciais) sai entre R$ 35 mil e R$ 50 mil.

Payback: 7 a 12 anos — significativamente mais longo que on-grid. A bateria adiciona custo sem aumentar proporcionalmente a economia (a rede já faz o papel de "bateria" grátis).

Quando vale a pena

Quedas frequentes: se sua região tem blackouts semanais (comum no Norte e em algumas cidades do interior), o custo de ficar sem energia (comida estragada, trabalho remoto parado) pode justificar a bateria.

Tarifa horo-sazonal: se sua distribuidora cobra mais à noite (bandeira branca), carregar a bateria de dia e usar à noite pode ter economia adicional.

Minimizar Fio B: com bateria, você aumenta o autoconsumo (de 30% pra 60-70%), o que reduz a energia injetada e portanto o Fio B cobrado. A Lei 15.269/2025 regulamentou isso e deu incentivos fiscais pra baterias residenciais.

Comparativo direto

On-Grid Off-Grid Híbrido
Conexão à rede Sim Não Sim
Bateria Não Obrigatória Sim
Custo (5 kWp) R$ 17-22 mil R$ 45-70 mil R$ 35-50 mil
Payback 4-7 anos 5-8 anos* 7-12 anos
Fio B Sim (60% em 2026) Não Reduzido
Funciona na queda Não Sim Sim
Público Residencial urbano Rural sem rede Quem quer backup

*Payback off-grid calculado sobre custo evitado com gerador diesel. Sem rede disponível, não há "conta de luz" de referência.

O artigo on-grid vs off-grid aprofunda cada cenário com simulações de custo e análise de retorno.

Inversores por tipo de sistema

O inversor é diferente pra cada tipo:

  • On-grid: inversor string (Growatt, Deye, WEG) ou microinversor (APsystems, Hoymiles). Converte DC→AC e sincroniza com a rede. Desliga quando a rede cai.
  • Off-grid: inversor carregador que gerencia carga/descarga das baterias. Não sincroniza com a rede. Modelos Victron e Studer são referência nesse segmento.
  • Híbrido: inversor que faz tudo — converte DC→AC, sincroniza com a rede E gerencia baterias. Deye e Growatt têm os modelos mais vendidos no Brasil.

O comparativo de marcas e modelos está em melhor inversor solar 2026.

O futuro: baterias residenciais

O custo de baterias de lítio caiu 90% na última década e a projeção é de mais 40-50% de queda até 2030 (BloombergNEF). Quando o kWh armazenado ficar abaixo de R$ 1.500, o sistema híbrido residencial vai se viabilizar economicamente mesmo sem considerar backup.

A Lei 15.269/2025 (assinada em abril de 2025) regulamentou o uso de baterias em geração distribuída e trouxe incentivos fiscais: isenção de ICMS na compra de baterias e redução da TUSD pra sistemas com armazenamento. O impacto prático ainda é pequeno em 2026, mas sinaliza a direção da regulação.

Quem instalar on-grid hoje pode facilmente migrar pra híbrido depois — basta adicionar bateria compatível e trocar o inversor por um híbrido (ou adicionar um módulo de bateria se o inversor atual já tiver essa entrada). Não é necessário começar com bateria pra ter a opção no futuro.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre on-grid e off-grid?

On-grid está conectado à rede elétrica e usa a compensação de créditos (net metering). Off-grid é isolado, funciona com baterias e não depende da distribuidora. On-grid é mais barato e prático pra quem tem rede disponível. Off-grid faz sentido em locais remotos ou pra quem quer independência total.

Sistema off-grid é mais caro?

Significativamente. O banco de baterias (lítio LFP) custa de R$ 15 mil a R$ 50 mil dependendo da autonomia, e as baterias precisam ser trocadas a cada 10-15 anos. Um sistema off-grid de 5 kWp com 2 dias de autonomia custa de R$ 45 mil a R$ 70 mil — 2x a 3x mais que o mesmo sistema on-grid.

O que é sistema híbrido?

É um sistema conectado à rede (on-grid) que também tem bateria. Funciona como on-grid normalmente, usando a rede como backup. Quando a rede cai, o inversor híbrido muda automaticamente pra bateria. Combina o melhor dos dois mundos, mas é mais caro que on-grid puro.

Posso desligar da rede elétrica?

Tecnicamente sim, com off-grid. Mas exige bateria robusta (2-3 dias de autonomia), painéis sobredimensionados e gerador de backup pra períodos longos sem sol. O custo é alto e a praticidade é menor que manter a rede como backup. Pra áreas urbanas, on-grid ou híbrido fazem mais sentido.

Bateria solar residencial vale a pena em 2026?

Na maioria dos casos urbanos, ainda não. O custo de baterias de lítio LFP (R$ 3.000-5.000/kWh) adiciona 3-5 anos ao payback sem ganho proporcional de economia. A exceção: casas com quedas frequentes, tarifa horo-sazonal (bandeira branca à noite) ou que queiram minimizar o Fio B aumentando o autoconsumo. A Lei 15.269/2025 deu incentivos fiscais que podem mudar a conta até 2028.

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