Vantagens e desvantagens da energia solar: 6 motivos pra instalar e 6 pra pensar duas vezes antes de fechar
Analisamos as vantagens e desvantagens reais da energia solar em 2026 com dados da ANEEL, ABSOLAR e Greener. Economia, Fio B, degradação e mais.
Equipe Editorial
Energia Solar Explicada · Sobre nossa equipe
Você instalaria um equipamento de R$ 20 mil no telhado da sua casa sabendo que ele perde eficiência todo ano, depende do sol pra funcionar e vai precisar de uma troca de peça de R$ 4 mil lá no ano 13? Antes de responder, considere o outro lado: esse mesmo equipamento gera economia de R$ 127 mil em 25 anos, protege contra reajustes de 7% ao ano na conta de luz e valoriza o imóvel em até 6%. Energia solar tem vantagens reais e desvantagens concretas. A questão não é se compensa — é se compensa pra você, na sua cidade, com o seu consumo.
A economia na conta de luz é real — e cresce todo ano
Um sistema de 5 kWp em São Paulo com tarifa de R$ 0,645/kWh (Enel SP, ANEEL 2025) gera cerca de 370 kWh/mês. Nos primeiros 12 meses, a economia fica em torno de R$ 240 por mês, já descontando o Fio B de 60% e a manutenção. Parece modesto pra um investimento de R$ 20 mil. Só que a tarifa sobe todo ano.
A ANEEL projeta reajuste médio de 5,4% pra 2026 (TR Soluções), e a média histórica fica em 7% ao ano. No ano 10, aquela economia de R$ 240 vira R$ 470. No ano 20, passa de R$ 900. A conta é exponencial, e trabalha a favor de quem tem painel no telhado.
Em 25 anos, a economia líquida acumulada de um sistema de 5 kWp em São Paulo chega a R$ 127 mil (considerando degradação, Fio B progressivo e manutenção). Em Belém, onde a Equatorial cobra R$ 0,938/kWh, esse número sobe pra R$ 186 mil. A simulação completa por capital está no guia de energia solar vale a pena em 2026.
Proteção contra reajustes: a vantagem que ninguém calcula
A maioria dos artigos sobre energia solar foca no payback. Mas a vantagem mais silenciosa é a proteção contra inflação energética. De 2015 a 2025, a tarifa residencial brasileira subiu 111% — mais que o dobro do IPCA no período (ANEEL). Quem paga conta de luz está exposto a bandeiras tarifárias, reajustes anuais e revisões extraordinárias.
Com geração distribuída, a energia que você consome do próprio telhado não sofre reajuste. Cada kWh gerado por autoconsumo instantâneo tem custo fixo: zero. A parcela que você injeta na rede e recebe como compensação ainda depende da tarifa, mas o autoconsumo — que representa cerca de 30% da geração média — é imune.
Num cenário de 7% de reajuste ao ano por 25 anos, a tarifa de R$ 0,645 vira R$ 3,50/kWh. Quem não tem painel vai pagar isso. Quem tem, paga só o custo de disponibilidade (R$ 19,35/mês em ligação monofásica pela Enel SP).
Valorização do imóvel e incentivos fiscais
Segundo o Portal Solar e dados da ABSOLAR, imóveis com sistema fotovoltaico valorizam entre 3% e 6% no mercado brasileiro. Num apartamento de R$ 500 mil, isso representa R$ 15 mil a R$ 30 mil a mais na revenda — mais do que o próprio investimento num sistema pequeno.
Os incentivos fiscais reforçam a conta. Todos os 26 estados e o DF aderiram ao Convênio ICMS 16/2015 do Confaz, que isenta de ICMS a energia solar injetada na rede. E capitais como Palmas (TO), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS) oferecem desconto no IPTU de até 40% pelo programa IPTU Verde. Em Palmas, o desconto máximo equivale a R$ 2.000/ano em imóveis de médio padrão.
Fora isso, a Lei 15.269/2025 criou incentivos via REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) para projetos com armazenamento por bateria, com limite de R$ 1 bilhão por ano até 2030. Baterias residenciais ainda são caras, mas o caminho regulatório está aberto.
Sustentabilidade com números, não com slogan
Energia solar evitou mais de 50 milhões de toneladas de CO2 no Brasil até 2025 (ABSOLAR). Um sistema residencial de 5 kWp evita em torno de 4 toneladas de CO2 por ano — o equivalente a 100 toneladas em 25 anos. Pra colocar em perspectiva: um carro popular roda 15 mil km/ano e emite 2,4 toneladas de CO2. Instalar um sistema de 5 kWp compensa quase dois carros.
O Brasil atingiu 60 GW de capacidade solar instalada no início de 2026, com 4,6 milhões de imóveis gerando a própria energia (ABSOLAR). A projeção é de 75,9 GW até o fim do ano, com adição de 10,6 GW. Em escala nacional, o impacto ambiental já é mensurável. Na sua casa, o impacto financeiro é o que pesa mais — mas o ambiental não é marketing vazio.
Baixa manutenção (mas não zero)
Painéis solares não têm partes móveis. A manutenção se resume a limpeza 1-2 vezes por ano e inspeção elétrica anual. Custo: entre R$ 250 e R$ 450 por limpeza profissional, ou R$ 0 se você fizer com água e esponja macia (desde que consiga acessar o telhado com segurança). No total, o custo anual de manutenção fica entre 0,5% e 1% do valor do sistema. Pra um investimento de R$ 20 mil, são R$ 100 a R$ 200 por ano.
Compare com um carro: IPVA, seguro, combustível, revisão. Compare com um imóvel alugado: manutenção, vacância, inquilino problemático. O painel solar é, de longe, o ativo com menor custo de manutenção que você pode ter.
Só não confunda “baixa manutenção” com “manutenção zero”. Painel sujo perde entre 5% e 25% de geração dependendo do nível de sujeira (pó, fezes de pássaro, folhas). Quem instala e esquece está deixando dinheiro no telhado.
O investimento inicial ainda é a maior barreira
Agora as desvantagens. O elefante na sala é o preço. Um sistema de 5 kWp custa entre R$ 17 mil e R$ 22 mil instalado em 2026 (Greener, Portal Energia Brasil). Pro consumidor médio brasileiro, com renda familiar de R$ 3.200/mês (IBGE), isso equivale a 5 a 7 meses de salário. Não é uma compra por impulso.
E os preços estão subindo. Módulos fotovoltaicos tiveram reajuste de 10% a 15% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, puxados por polisilício mais caro e corte de subsídio de exportação na China (Canal Solar, jan/2026). A projeção para o acumulado de 2026 é de 25-30% de alta nos módulos. O impacto no sistema instalado é menor — 10-15% — porque inversor e mão de obra (que pesam 60% do total) não acompanham na mesma proporção.
Dá pra financiar. O Banco BV lidera com taxa a partir de 1,17% ao mês e prazo de até 96 meses. A Solfacil oferece 120 meses com 6 de carência. A parcela de R$ 420/mês num sistema de R$ 20 mil pode ser parcialmente coberta pela economia na conta. Mas juros são juros — o custo total do financiamento em 72 meses chega a R$ 30 mil. Detalhamos preços atualizados no artigo sobre placa solar: preços em 2026.
Fio B: a mordida que cresce até 2029
A Lei 14.300/2022 criou uma cobrança progressiva sobre quem injeta energia na rede. Em 2026, o Fio B está em 60% do componente de distribuição (TUSD). Em 2027, sobe pra 75%. Em 2028-2029, chega a 90%.
O que isso significa na prática? Se você gera 500 kWh/mês e consome 30% na hora (autoconsumo), injeta 350 kWh na rede. O Fio B de 60% incide sobre esses 350 kWh, mas apenas sobre a parcela TUSD da tarifa (cerca de 40% do total). A mordida em São Paulo fica em torno de R$ 55/mês em 2026. Quando o Fio B chegar a 90%, sobe pra R$ 80/mês.
Quem homologou o sistema antes de 7 de janeiro de 2023 não paga nada disso até 2045 — é o direito adquirido que fez muita gente correr pra instalar em 2022. Pra quem instala agora, o Fio B é inevitável e estica o payback em 6 a 12 meses dependendo da capital.
A Lei 15.269/2025 trouxe uma saída parcial: regulamentou baterias residenciais. Quem instalar bateria e aumentar o autoconsumo pra 60-70% praticamente elimina o Fio B, porque a cobrança só incide sobre energia injetada. O problema é que baterias de lítio ainda custam entre R$ 15 mil e R$ 30 mil. Hoje, não fecha a conta pra maioria das residências. Mas a regulamentação existe e os preços tendem a cair.
Degradação dos painéis e troca de inversor
Todo painel solar perde eficiência com o tempo. No primeiro ano, a perda é de aproximadamente 3%, causada pela degradação induzida por luz (LID). Depois, a taxa cai pra 0,4% a 0,6% ao ano em módulos de fabricantes tier 1 (Canadian Solar, Jinko, Trina). No ano 25, seu sistema gera cerca de 85,8% da capacidade original.
A garantia de performance da maioria dos fabricantes cobre esse cenário: Canadian e JA Solar garantem 87,4% no ano 25; Jinko vai além e garante 87,4% no ano 30 com sua linha Tiger Neo.
O inversor é outra história. Vida útil de 10 a 15 anos, com garantia de 10 anos na maioria dos modelos residenciais (Growatt, Deye, WEG). Lá pelo ano 12 ou 13, você vai precisar trocar. Custo: cerca de 20% do valor do sistema, ou R$ 4.000 pra um sistema de R$ 20 mil. É o maior gasto de manutenção ao longo dos 25 anos.
Painéis genéricos ou sem certificação INMETRO podem degradar mais de 1,5% ao ano. Em 25 anos, sobram menos de 70% da capacidade. A economia de R$ 200 no módulo pode custar R$ 15 mil de geração perdida ao longo da vida útil. Economizar no painel é a decisão mais cara que existe em energia solar.
Quando o telhado não ajuda
A estética divide opiniões. Módulos de 2,2 m² cada cobrem boa parte do telhado — um sistema de 5 kWp com 10 painéis ocupa 22 m². Em casas com telhado colonial de cerâmica, os painéis ficam visíveis da rua. Não existe consenso sobre se isso é bonito ou feio, mas é uma mudança permanente na aparência do imóvel.
O problema real não é estético — é estrutural. Telhas de fibrocimento antigo (com amianto) não suportam a instalação. Telhados com infiltração precisam de reforma antes dos painéis. E sombreamento parcial — árvores, prédio vizinho, caixa d’água — pode derrubar a geração de uma string inteira se o sistema usa inversor central.
No Reclame Aqui, as reclamações mais comuns envolvem danos ao telhado durante a instalação (telhas quebradas, goteiras) e empresas que não fazem vistoria técnica prévia. Microinversores resolvem o problema do sombreamento parcial, mas custam mais. A lição: telhado problemático não é impedimento absoluto, mas exige investimento extra e um integrador competente que faça a vistoria antes de fechar orçamento.
O balanço final
As vantagens são financeiras e crescentes: economia na conta que aumenta com os reajustes, proteção contra inflação energética, valorização do imóvel, incentivos fiscais e 25 anos de geração com manutenção quase zero.
As desvantagens são concretas e mensuráveis: investimento inicial alto, Fio B que sobe até 90% em 2029, degradação inevitável dos painéis, troca obrigatória do inversor e dependência de sol e telhado adequado.
Energia solar compensa pra quem consome acima de 300 kWh/mês, mora em cidade com tarifa acima de R$ 0,60/kWh e tem telhado sem sombra significativa. Nessas condições, o payback fica entre 4 e 6 anos, e o ROI em 25 anos supera qualquer investimento de renda fixa. Não compensa — pelo menos por enquanto — pra quem consome pouco, mora de aluguel ou pretende se mudar nos próximos 5 anos.
O preço certo pra tomar a decisão? O artigo sobre quanto custa energia solar residencial tem tabela completa por tamanho de sistema e payback por capital.
Perguntas frequentes
Energia solar funciona em dia nublado? Gera menos, mas gera. Em dias nublados a produção cai pra 10-25% da capacidade. O dimensionamento do sistema já considera a média anual de HSP (Horas de Sol Pleno) de cada região, que inclui dias nublados e chuvosos. Ninguém dimensiona sistema contando só com céu aberto.
Consigo zerar a conta de luz com energia solar? Não totalmente. Mesmo gerando 100% do seu consumo, você paga o custo de disponibilidade: R$ 19,35/mês em ligação monofásica (Enel SP). Em ligação trifásica, são R$ 64,50. É o mínimo que a distribuidora cobra pra manter a conexão ativa.
Energia solar desvaloriza a estética da casa? Depende do projeto. Módulos all-black (moldura e backsheet pretos) são mais discretos. A tendência do mercado é de painéis menores e mais potentes, que cobrem menos área. Telhas solares existem mas custam 3-4 vezes mais que painéis convencionais e têm eficiência menor.
O que acontece se eu me mudar? Os painéis ficam no imóvel. Você pode negociar o valor na venda (imóvel com solar valoriza 3-6%), mas dificilmente recupera 100% do investimento num sistema usado. Desmontar e reinstalar em outro endereço é possível mas caro — custo de desinstalação, frete, nova estrutura e nova homologação na distribuidora.