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Energia Solar Explicada
Calcular economia

Energia solar residencial: o guia mais completo do Brasil

Instalar painéis solares em casa é, na maioria dos casos, o melhor investimento que um proprietário pode fazer no Brasil em 2026. O payback médio fica entre 4 e 7 anos, a economia acumulada em 25 anos passa de R$ 100 mil mesmo em cidades com pouco sol, e o retorno real supera qualquer aplicação de renda fixa de baixo risco.

Mas "maioria dos casos" não é "todos os casos". Quem consome menos de 200 kWh/mês, mora de aluguel ou tem telhado com sombra pesada pode não ter retorno suficiente pra justificar o investimento. O objetivo deste guia é separar onde a conta fecha de onde ela aperta — com números, fontes e sem interesse em te vender um sistema.

Como funciona na prática

Um sistema solar residencial é formado por painéis fotovoltaicos no telhado, um inversor que converte a energia e um medidor bidirecional que registra o que você consome e o que injeta na rede. A lógica é simples: durante o dia, os painéis geram eletricidade. O que você consome na hora (autoconsumo) abate direto da conta. O que sobra vai pra rede da distribuidora e vira crédito, que desconta do que você consome à noite.

Esse modelo se chama compensação de energia (ou net metering). No Brasil, é regulado pela Lei 14.300/2022, que criou o Fio B — uma cobrança progressiva sobre a energia injetada na rede. Antes da lei, cada kWh injetado voltava como crédito cheio. Agora existe um "pedágio" que em 2026 corresponde a 60% da parcela de distribuição (TUSD) da tarifa.

Na prática, o Fio B come de 8% a 15% da economia bruta dependendo do quanto de autoconsumo você tem. Quem consome parte da energia no horário de geração (por trabalhar de casa, por exemplo) sente menos o impacto.

Quanto custa um sistema residencial

O preço médio de um sistema residencial no Brasil em fevereiro de 2026 fica entre R$ 4.500 e R$ 6.000 por kWp instalado. Isso inclui painéis, inversor, estrutura de fixação, cabeamento, projeto e mão de obra. Um sistema de 5 kWp (o mais vendido) sai entre R$ 17 mil e R$ 22 mil.

O custo por kWp cai conforme o sistema cresce. Um sistema de 3 kWp custa cerca de R$ 5.000/kWp, enquanto um de 10 kWp fica em torno de R$ 3.500/kWp — é ganho de escala. Sistemas muito pequenos (abaixo de 3 kWp) sofrem porque o custo fixo de inversor e instalação pesa proporcionalmente mais.

Detalhamos preços por potência, marca e região em dois artigos específicos: o guia de preços de placas solares foca nos módulos, enquanto o quanto custa energia solar residencial cobre o sistema completo.

Payback: em quanto tempo se paga

O payback depende de três variáveis principais: tarifa da distribuidora, irradiação solar da cidade e custo do sistema. Quanto maior a tarifa e o sol, mais rápido o retorno.

Em Belém, onde a Equatorial cobra R$ 0,938/kWh (a tarifa residencial mais cara do Brasil), o payback de um sistema de 3,16 kWp fica em 4,1 anos. Em São Paulo, com tarifa de R$ 0,645/kWh na Enel, sobe pra 5,7 anos. Florianópolis é o extremo oposto: tarifa baixa (R$ 0,531/kWh) e menos sol (HSP 4,3), levando o payback a 7,8 anos. Simulamos esses cenários em detalhe no artigo energia solar vale a pena em 2026.

O cálculo de payback precisa incluir quatro fatores que muitos simuladores ignoram: degradação dos painéis (0,5% ao ano após o primeiro), reajuste tarifário (média de 7% ao ano nos últimos 10 anos, segundo a ANEEL), Fio B progressivo e manutenção (1% do investimento por ano). O artigo sobre payback da energia solar detalha a metodologia completa.

Vantagens e desvantagens

As vantagens são claras: economia de 80-90% na conta de luz, valorização do imóvel (estudos apontam 3-6% segundo o Green Building Council Brasil), proteção contra reajustes tarifários e impacto ambiental positivo. Um sistema residencial de 5 kWp evita a emissão de 3,5 toneladas de CO2 por ano.

As desvantagens merecem igual atenção. O investimento inicial é alto (R$ 15-22 mil). Os painéis ficam no imóvel — se você se mudar, não leva. O Fio B vai continuar subindo até 90% em 2029. E em dias nublados ou chuvosos, a geração cai de 10-25% — o dimensionamento considera isso na média anual, mas a conta de meses isolados pode surpreender.

Fizemos uma análise franca de cada ponto no artigo vantagens e desvantagens da energia solar.

Como dimensionar o sistema

O dimensionamento correto é a decisão mais importante. Sistema grande demais gera créditos que expiram em 60 meses. Pequeno demais não elimina a conta. O ideal: cobrir de 90% a 100% do consumo excedente ao custo de disponibilidade.

A fórmula base é: kWp = (consumo diário em kWh) / HSP / eficiência. Pra uma casa que consome 400 kWh/mês em São Paulo (HSP 5,0, eficiência de 78%): kWp = (400/30) / 5,0 / 0,78 = 3,42 kWp. São 7 painéis de 550W ocupando cerca de 15 m² de telhado.

Variáveis que alteram o cálculo: orientação do telhado (norte é ideal, leste/oeste perdem 10-15%), inclinação (a latitude do local é o ângulo ótimo) e sombreamento. Um telhado voltado pro sul em latitudes abaixo de 15° pode perder até 25% de geração.

O processo de instalação

Da decisão até a energia fluindo, o processo leva de 30 a 90 dias. A instalação física em si é rápida (1-3 dias), mas a burocracia com a distribuidora pode demorar.

O passo a passo é: visita técnica ao local (o integrador avalia telhado, sombreamento, quadro elétrico), projeto fotovoltaico (memorial descritivo, diagrama unifilar), instalação dos painéis e inversor, vistoria da distribuidora e troca do medidor, e finalmente a homologação. Até a homologação sair, o sistema pode gerar mas os créditos não são computados.

Distribuidoras como a Enel SP costumam ser mais ágeis (30-45 dias) que a Equatorial no Norte (até 90 dias). Se a adequação do padrão de entrada for necessária, some R$ 1.500 a R$ 3.000 ao orçamento.

Regulação: Lei 14.300 e Fio B

A Lei 14.300/2022 é o marco regulatório da geração distribuída no Brasil. Ela criou o Fio B — uma cobrança sobre o uso do fio de distribuição para quem injeta energia na rede.

O cronograma é escalonado: 15% em 2023, 30% em 2024, 45% em 2025, 60% em 2026, 75% em 2027-2028, e 90% a partir de 2029. Quem homologou o sistema antes de 7 de janeiro de 2023 tem isenção total até 2045.

O Fio B incide sobre a parcela TUSD da tarifa (uns 40% do total), e apenas sobre a energia que vai pra rede — não sobre o autoconsumo. Na prática, o impacto em 2026 é de R$ 40-80 por mês num sistema de 5 kWp, dependendo da tarifa. O artigo Lei 14.300 e Fio B explica tudo em detalhe.

Quando não compensa instalar

Vamos ser diretos. Energia solar não é pra todo mundo.

Consumo abaixo de 200 kWh/mês: o sistema fica pequeno, o custo fixo pesa e o payback se estende demais. Em muitos casos, o dinheiro rende mais num CDB.

Aluguel: os painéis ficam no imóvel. Você estaria investindo no patrimônio do proprietário. Pra quem aluga, a alternativa é energia solar por assinatura — sem instalação, com desconto de 10-15% na conta.

Telhado complicado: sombra de árvores ou prédios por mais de 3 horas/dia, amianto (proibido pra novas construções), orientação voltada pro sul em latitude baixa. Nesses casos, o projeto precisa de análise técnica muito detalhada.

Mudança próxima: se pretende se mudar nos próximos 4-5 anos, dificilmente vai recuperar o investimento na venda. Compradores raramente pagam o valor integral de um sistema usado.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho ideal de sistema solar pra uma casa?

Depende do consumo. Uma casa que gasta 400 kWh/mês precisa de um sistema de aproximadamente 3,5 kWp (6-7 painéis de 550W). O cálculo exato considera a irradiação solar da cidade, a eficiência do sistema e o custo de disponibilidade da ligação elétrica. Use a calculadora de dimensionamento para ter o número preciso pro seu caso.

Energia solar funciona em apartamento?

Se você tem cobertura com acesso ao telhado, sim. Apartamentos sem telhado próprio podem aderir à geração compartilhada (fazendas solares), mas a economia é menor — em torno de 10-15% da conta, não 80-90%.

Preciso trocar o telhado antes de instalar?

Não necessariamente. Mas se o telhado tem infiltração ou telhas quebradas, faz sentido resolver antes. Os painéis duram 25 anos — desmontar tudo pra reforma depois sai caro. A maioria dos integradores faz vistoria técnica antes de fechar.

Energia solar zera a conta de luz?

Quase. Você ainda paga o custo de disponibilidade (equivalente a 30, 50 ou 100 kWh dependendo da ligação) e, a partir de 2023, o Fio B sobre a energia injetada na rede. Na prática, um sistema bem dimensionado reduz a conta em 80-90%.

Quanto tempo leva pra instalar?

A instalação física dura 1-3 dias. O processo completo (orçamento, projeto, instalação e homologação na distribuidora) leva de 30 a 90 dias, dependendo da região e da distribuidora.

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